Mapas: filme leva mistérios de Brasília para festival em PE

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SigaGoogle DiscoverDivulgação1 de 1 Beta Rangel em Mapas, longa-metragem do Distrito Federal
– Foto: Divulgação

Recife (PE) – Mesmo em uma cidade planejada como Brasília, locais misteriosos e abandonados surgem em meio aos edifícios de Oscar Niemeyer e servem como uma espécie de mausoléus arquitetônicos da capital federal. Evidenciar estes espaços da memória candanga, a partir de uma linguagem de suspense e terror fantasmagórico, é a proposta de Mapas, filme do Distrito Federal que compete na Mostra Competitiva de Longas-metragens do 30° Cine PE.

A produção traz três locais como pontos centrais na narrativa. As “Ruínas da UnB”, resquícios da construção inacabada da Escola Superior de Guerra, nas proximidades da Universidade de Brasília; o Lago Paranoá, que delimita um espaço imaginário que divide os personagens e a trama entre passado e futuro, realidade e ficção; e a Vila Amaury, um dos primeiros assentamentos dos construtores candangos, inundada para levantar a barragem que deu vida ao lago artificial.

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Foto histórica da Vila Amaury, assentamento candango afundado para construção do Lago Paranoá

Reprodução/Arquivo Público do DF2 de 17

No Parque da Enseada Norte, estrutura que seria da Escola Superior de Guerra é outro motivo de queixa dos moradores da região

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O lixo também toma conta do local

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Há infiltrações pela construção

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Resquícios da construção do prédio militar estão abandonados há mais de 40 anos

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Hoje, o local é conhecido como “Ruínas da UnB”, por ficar perto da Universidade de Brasília

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Construção começou a ser erguida em 1970, durante o governo militar, mas acabou interrompida anos depois, por ordem do general Ernesto Geisel

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As “ruínas da UnB” ficam próximas ao Lago Paranoá

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O local também é pichado

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Ruínas da UnB: “atravessei o campus e entrei numa trilha desconhecida; perto da beira do lago, vi um bloco de concreto armado, com pilares redondos, grossos e inacabados: carcaça de uma obra abandonada; três botas velhas de couro espetadas em pontas de ferro, uma placa de zinco enferrujada: “Área Militar”.” (pág. 42)

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O local foi tomado pelo mato

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Há buracos no teto da estrutura

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As ferragens estão expostas

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Estrutura está abandonada desde a década de 70

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Com obra iniciada na década de 1960, as estruturas da Escola Superior de Guerra foram abandonadas logo e a construção já tinha ares de mistério na década seguinte, sendo até hoje um dos espaços em ruínas mais famosos da cidade

Rafaela Felicciano/Metrópoles

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“A ideia era trazer essas ruínas que muitas vezes são desconhecidas mesmo por quem mora lá”, conta Rafael Lobo, diretor de Mapas. “Nossa perspectiva era questionar essa história oficial da cidade e retomar um passado que continua presente nas famílias de quem construiu Brasília”, acrescenta.

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Trazer estes locais e ruínas que se escondem no Distrito Federal para a tela foi um dos grandes desafios do longa. “Quando nós fomos buscar autorização para gravar nas ‘Ruínas’, nós fomos atrás de vários órgãos do governo e ninguém sabia dizer de quem era a responsabilidade daquele lugar”, revela o produtor Alisson Machado.

Para as gravações, diferentes locações foram utilizadas para compor um único cenário, em um esquema que trouxe ainda mais complexidade para a produção. “Tivemos que montar uma mesma estrutura de road movie (filmes de viagem na estrada) que pudesse ser montada e desmontada diversas vezes. Isso acabou estendendo bastante a jornada”, detalha.

A trama, que mistura elementos naturalistas e referências do cinema de horror, foca em dois universitários que se dedicam a seguir as trilhas mapeadas por uma cicloativista – quem utiliza a bicicleta como ferramenta de transformação política e social – desaparecida há mais de um ano.

Seguindo os mapas deixados por ela, os personagens descobrem uma série de mistérios e memórias deixadas por aqueles que ajudaram a construir a capital federal há mais de 60 anos.

“Em Brasília existe um mapa oficial, delimitado pelas linhas que cercam a cidade. Mas nós queremos mostrar que existem outras rotas e outros espaços que vão se mostrando conforme embarcamos nessa investigação, que na verdade traz mais dúvidas do que respostas”, reflete Rafael Lobo.

“Queríamos criar uma narrativa elíptica, em que os personagens e o público criam mapas para suas próprias histórias e traumas e encontram a si mesmos”, conclui.

*A repórter viajou ao Cine PE à convite do festival

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Metrópoles