NASA aciona protocolo de segurança e deixa astronautas em alerta após vazamentos na estação espacial

Nesta sexta-feira (5), astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) foram orientados pela NASA a permanecer dentro da espaçonave Crew Dragon Freedom, da SpaceX, acoplada ao laboratório orbital, para uma possível evacuação de emergência. A medida foi adotada após a identificação de vazamentos de ar em uma área do segmento russo da estrutura.

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A recomendação teve caráter preventivo e foi implementada enquanto cosmonautas russos realizavam trabalhos de reparo no chamado PrK, um túnel de transferência conectado ao módulo de serviço Zvezda. O local apresenta rachaduras e pequenos vazamentos há vários anos, sendo monitorado constantemente pelas agências espaciais envolvidas no projeto.

Atuais tripulantes da ISS. Na frente, da esquerda para a direita, Andrey Fedyaev, da Roscosmos, Jack Hathaway e Jessica Meir, da NASA, e Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia. Atrás, Sergey Kud-Sverchkov, da Roscosmos, Chris Williams, da NASA, e Sergei Mikaev, da Roscosmos. – Crédito: NASA

Segundo a porta-voz da NASA, Bethany Stevens, cinco dos sete ocupantes da ISS foram colocados em uma condição de segurança reforçada durante a operação para garantir que a tripulação pudesse deixar a estação rapidamente caso os reparos provocassem uma piora inesperada na perda de pressão ou surgisse qualquer outro risco à integridade da estrutura.

Roscosmos has paused Friday’s structural repair efforts inside the Zvezda service module transfer tunnel, known as PrK, as more measurements and data is assessed. Given this development, NASA has instructed the crew members inside the Dragon spacecraft to end the safe haven…

— Bethany Stevens (@NASASpox) June 5, 2026

O problema está concentrado no segmento russo da estação, administrado pela Roscosmos. De acordo com a NASA, as fissuras existentes nessa área vêm sendo acompanhadas há bastante tempo. Ao longo dos últimos anos, diferentes intervenções foram realizadas para reduzir os vazamentos, mas a origem definitiva do problema ainda não foi totalmente esclarecida.

The Zvezda service module transfer tunnel, known as PrK, has suffered from cracks and leaks for some time, and has been mitigated by Roscosmos as much as possible to date. The cracks have always been a concern that NASA watches very closely. NASA and Roscosmos have been working…

— Bethany Stevens (@NASASpox) June 5, 2026

Segundo a BBC, a preocupação aumentou após a chegada de uma nave de carga russa à ISS no mês passado. Durante inspeções posteriores, técnicos observaram uma nova queda gradual na pressão do túnel de transferência do módulo Zvezda. Diante desse cenário, a Roscosmos decidiu realizar um reparo mais abrangente do que os executados anteriormente.

Como parte do protocolo de segurança, os astronautas da NASA Jessica Meir, Jack Hathaway e Chris Williams, além de Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia (ESA) e Andrey Fedyaev, da Roscosmos, foram orientados a permanecer dentro da cápsula Dragon Freedom. Eles vestiram seus trajes espaciais e ficaram prontos para um eventual desacoplamento da nave, caso uma evacuação se tornasse necessária.

Cápsulas Dragon: “botes salva-vidas” dos astronautas

As cápsulas Dragon funcionam como verdadeiros botes salva-vidas para a estação espacial. Embora permaneçam conectadas à ISS durante boa parte da missão, elas podem ser ativadas rapidamente para trazer os astronautas de volta à Terra em situações de emergência.

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Enquanto os cinco tripulantes aguardavam na espaçonave, Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev permaneceram no segmento russo para executar os trabalhos de reparo. Por estarem mais próximos da área afetada, eles ficaram responsáveis por avaliar as condições do módulo e tentar conter os vazamentos.

Apesar da mobilização, a NASA enfatizou que não havia uma ordem para deixar a estação. A medida foi classificada como uma precaução diante de uma atividade considerada sensível, envolvendo um sistema que precisa permanecer totalmente pressurizado para garantir a sobrevivência dos ocupantes.

Caso uma evacuação completa fosse necessária, a tripulação seria dividida entre duas espaçonaves. Os quatro integrantes da missão Crew-12 (Meir, Hathaway, Adenot e Fedyaev) retornariam à Terra na Dragon Freedom, com pouso no oceano próximo à costa dos Estados Unidos. Já Kud-Sverchkov, Mikaev e Williams utilizariam a Soyuz MS-28, realizando um pouso no Cazaquistão.

Continua após a publicidadeMódulo Zvezda, no segmento russo da ISS, onde vazamentos de ar perduram desde 2019. – Crédito: NASA

Por volta do meio-dia, no horário de Brasília, a NASA informou que a Roscosmos havia suspendido temporariamente os trabalhos de reparo. A decisão foi tomada para permitir uma análise mais detalhada das medições e informações coletadas durante a operação.

Com a interrupção dos reparos, os astronautas que estavam abrigados na Dragon receberam autorização para retornar às atividades normais na ISS. A NASA informou que continuará trabalhando em conjunto com a Roscosmos para encontrar uma solução permanente para os vazamentos.

Segundo informações divulgadas pelas agências russas Interfax e Tass, dos dois vazamentos identificados durante os procedimentos, um já teria sido corrigido, enquanto o segundo continua sendo avaliado pelas equipes técnicas.

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A Roscosmos também declarou que, em nenhum momento, a tripulação ou os sistemas da estação estiveram em perigo. Ainda assim, o episódio reforça a importância dos protocolos de segurança adotados na ISS, onde qualquer alteração na pressão interna exige monitoramento rigoroso e resposta imediata.

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Sobre a Estação Espacial Internacional

Em operação há aproximadamente 25 anos, a ISS é considerada uma das maiores realizações da cooperação científica internacional. O complexo reúne módulos construídos pelos Estados Unidos, Rússia, Europa e Japão, formando uma estrutura de tamanho semelhante ao de um campo de futebol.

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Orbitando a cerca de 400 quilômetros de altitude, a estação viaja a aproximadamente 28 mil quilômetros por hora. Nessa velocidade, completa uma volta ao redor da Terra a cada 90 minutos, permitindo a realização contínua de pesquisas científicas em ambiente de microgravidade.

Além dos experimentos realizados em diversas áreas da ciência, os próprios astronautas participam de estudos sobre os efeitos das viagens espaciais prolongadas no organismo humano. Os dados obtidos ajudam a preparar futuras missões para destinos mais distantes, como a Lua e Marte.

Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia