segunda-feira,20 maio 2024

Quinari ou Senador Guiomard? Entenda a confusão sobre o nome da cidade que faz 48 anos

Maria Fernanda Arival, ContilNet

O município de Senador Guiomard, além das cidades de Manoel Urbano e Assis Brasil, completam 48 anos, em razão da Lei 588, de 14 de maio de 1976, assinada e sancionada pelo governador Geraldo Mesquita, que alterou os limites territoriais dos municípios do Acre.

A mudança de status de vila para município também trouxe a mudança do nome da cidade, que fica a poucos quilômetros da capital acreana.

ContilNet conversou com o historiador Marcos Vinicius Neves, que explicou a mudança de nome da localidade. “É uma questão política.

O senador José Guiomard dos Santos foi governador do Acre entre 1946 a 1950 e se tornou então líder do PSD, porque exatamente esse período, a partir de 1946, foi o período de reorganização da redemocratização brasileiro depois da ditadura do Getúlio Vargas.

A partir desse momento, em 1946, que o Acre passou a ter partidos nacionais, pois até então só havia um partido local. Em contrapartida, se organizou também o PTB, que era liderado por Oscar Passos, que havia sido governador do Acre entre 1941 e 1943.

Esses dois partidos passaram a monopolizar a política criada com outros partidos menos, mas quem comandava mesmo era o PSD e o PTB, tanto que o Acre elegia dois deputados federais, que eram Guiomard Santos e Oscar Passos”, explicou.

O historiador lembrou a importância política que Guiomard Santos teve após ter sido governador do território do Acre.

“Ele foi autor da lei do Acre Estado, que transformou o Território Federal em Estado, a Lei 4.070. Quando o Acre se transformou em estado, o Guiomard Santos foi eleito senador pelo estado, foi um dos primeiros senadores a serem eleitos. Ele foi eleito já na primeira eleição, foi a primeira vez que o Acre elegia senador e ele foi um dos eleitos, mantendo sua posição como grande líder político do ex-território, agora estado do Acre”, completou.

Ainda de acordo com Marcos, em 1976, quando foram criados vários municípios na primeira Constituição do Acre, em 1963, havia a previsão da criação de diversos municípios que acabaram sendo criados apenas em 1976 e 1977, como é o caso do município de Senador Guiomard.

Da esquerda para a direita, Lydia Hammes Santos, Guiomard Santos, o presidente João Goulart e o primeiro ministro Tancredo Neves, na ocasião da sanção da Lei 4.070, de 15 de junho de 1962 que elevou o Acre a Estado Foto: Acervo Digital/Memorial dos Autonomistas

“A Vila Quinari, nesse período, era caminho para Plácido de Castro, e era uma cidade vizinha a capital Rio Branco, então se decidiu, politicamente, agradar o senador Guiomard, o que foi uma grande tristeza para a população que a vida toda havia chamado aquela localidade de Quinari”, disse.

Apesar da tristeza pela mudança de nome, o historiador explica que esse sentimento foi abafado pelos benefícios que trazia a ascensão política.

“O Quinari deixava de ser um distrito, subordinado ao município de Rio Branco, e se tornava um município autônomo, com direito de eleger prefeito e Câmara de Vereadores, tendo um orçamento próprio, então houve um ganho político e ‘econômico’, porque quando se tem orçamento próprio, tem mais recursos. Então o processo de criação do município significou um avanço político e econômico para a localidade, o que de uma certa forma abafou a insatisfação popular”, disse.

O que significa Quinari?

Antes de ser chamado de Senador Guiomard, o município tinha o nome de Quinari e até hoje as pessoas, e a própria Prefeitura, utilizam o nome anterior. Segundo o historiador, há duas hipóteses do que significa o nome Quinari.

Uma delas é que na colocação onde é o município, havia uma grande árvore de quina quina, que as pessoas tiravam a casca e faziam o quinino, que é um remédio contra a malária.

“Eu acho essa hipótese menos realista, porque tem árvores de quina quina dentro da floresta, não é possível que aquela, especificamente, por ser uma árvore de quina quina deu origem ao nome Quinari”, explica.

Uma planta nativa da Cordilheira dos Andes e da Bacia Amazônica/Foto: Pixabay

Para Marcos Vinicius, a hipótese mais coerente é sobre um igarapé que passava na região, que tinha um nome indígena Quinarirã.

“Havia um igarapé nessa região, denominado Quinarirã, o que é muito mais plausível que essa colocação se chamasse Quinari, por conta deste igarapé com o nome indígena. Originalmente, Quinari seria um nome indígena de igarapé, se tornou nome da colocação de um seringal, e posteriormente, com a implantação do alojamento durante as obras de construção da estrada para Plácido de Castro, se tornou uma vila com este mesmo nome e assim permaneceu sendo chamada até a criação do município em 1976”, finalizou.

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