Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, em uma galáxia muito distante, vista como era há 13,4 bilhões de anos, sugerem a possível presença de estrelas da hipotética População III.
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A proposta aparece em dois estudos independentes, analisando o mesmo sistema com abordagens complementares. As evidências vêm de sinais espectrais detectados em objetos extremamente antigos do Universo, ainda sem confirmação.
Representação artística do Telescópio Espacial James Webb. – Crédito: Vadim Sadovski / Shutterstock
Esses resultados são importantes porque podem estar ligados às primeiras estrelas formadas após o Big Bang. Elas teriam surgido em um Universo composto apenas por hidrogênio e hélio. Entender esses objetos ajuda a reconstruir como surgiram as primeiras estruturas cósmicas e como os elementos químicos mais complexos passaram a existir.
Em resumo:
JWST identifica sinais em galáxia distante;
Estudos analisam o sistema;
Estrelas primordiais são a principal hipótese;
Universo antigo tinha apenas gases leves;
Descoberta ainda não está confirmada.
Equipe detecta gás primitivo na galáxia GN-z11
Liderado pelo professor Roberto Maiolino, astrofísico italiano e professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o primeiro estudo investigou a galáxia GN-z11, uma das mais distantes já observadas.
A equipe encontrou indícios de gás praticamente intocado ao redor da galáxia, composto quase exclusivamente por hélio. Esse tipo de ambiente é considerado extremamente primitivo.
Dentro desse sistema, os pesquisadores também analisaram um objeto chamado Hebe. Ele apresentou emissão de hélio duplamente ionizado (HeII), um sinal que exige condições energéticas muito intensas. Esse tipo de radiação pode ser produzido por estrelas extremamente massivas e quentes, compatíveis com a População III.
À esquerda, o mapa de emissão de gás destaca a estrutura de “Hebe” e a localização da galáxia primordial GN-z11. À direita, a imagem composta do NIRCam revela Hebe em contornos magenta próxima à GN-z11, contrastando com a galáxia massiva JADES-1005638 em primeiro plano (z=2.028). A escala de 1 kpc demonstra a alta resolução do telescópio Webb no Universo profundo – Crédito: Para publicações acadêmicas ou jornalísticas, o crédito deve ser formal e citar tanto a missão espacial quanto a equipe de pesquisa. Como a imagem provém do estudo específico citado (Maiolino et al.), o formato ideal é: Crédito: NASA, ESA, CSA, JADES Collaboration. Adaptado de Maiolino et al. (2026)
As novas observações com maior resolução reforçaram a presença dessas assinaturas espectrais. Além disso, não foram detectados elementos mais pesados na região. Esse conjunto de dados fortalece a hipótese de um ambiente químico pouco evoluído.
Os autores também testaram alternativas, como buracos negros de colapso direto e estrelas do tipo Wolf-Rayet. No entanto, esses cenários não explicam bem as características observadas, tornando a hipótese das estrelas primordiais a mais consistente.
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Modelagem física reforça hipótese de estrelas primordiais
O segundo estudo analisa os mesmos dados com foco na modelagem física do objeto Hebe. A pesquisa é liderada por Elka Rusta, da Universidade de Florença, na Itália, em colaboração com uma equipe internacional de astrônomos. O objetivo principal era testar quais cenários físicos melhor explicam as linhas de emissão observadas.
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Os resultados indicam que as propriedades medidas são mais bem explicadas por estrelas da População III, com massas estimadas entre 10 e 100 vezes a massa do Sol. Essa faixa é compatível com previsões teóricas dessas primeiras estrelas.
Apesar disso, os pesquisadores reforçam que ainda não há confirmação definitiva. Mais observações serão necessárias para eliminar incertezas e validar a interpretação. Se confirmada, essa descoberta ajudaria a compreender a formação das primeiras estrelas e a origem dos elementos químicos no Universo.
Flavia Correia
Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia
