Um estudo conduzido pela Embrapa Acre revelou o papel estratégico dos crisopídeos, popularmente chamados de “bichos-lixeiros” ou “leões-de-pulgão”, no controle natural de pragas que ameaçam as lavouras de soja no estado. A pesquisa utilizou armadilhas Malaise, que permitiram a captura de insetos em áreas de cultivo e também em fragmentos florestais próximos.

Os resultados apontaram que, dentro da diversidade encontrada, os crisopídeos se sobressaíram pela eficácia como inimigos naturais: Foto/ Reprodução
Os resultados apontaram que, dentro da diversidade encontrada, os crisopídeos se sobressaíram pela eficácia como inimigos naturais. Suas larvas se alimentam de pulgões, cochonilhas, moscas-brancas, ácaros e ovos de lagartas — principais pragas que afetam a soja. Foram identificados indivíduos dos gêneros Gonzaga, Leucochrysa e Ceraeochrysa, sendo que a espécie Ceraeochrysa cubana representou mais de 70% das ocorrências.
De acordo com o pesquisador Rodrigo Souza Santos, a Ceraeochrysa cubana demonstra capacidade de adaptação tanto a ambientes agrícolas quanto a ecossistemas naturais, o que reforça seu potencial em programas de manejo integrado de pragas. Já os adultos, ao se alimentarem de pólen e néctar, desempenham papel vital na reprodução e dispersão, assegurando a continuidade da espécie no ambiente.
Outro ponto destacado é que a abundância desses predadores naturais reduz a necessidade do uso de inseticidas, trazendo benefícios diretos para a produção agrícola e para a conservação ambiental. A presença de fragmentos florestais próximos às lavouras é considerada essencial, pois funcionam como áreas de refúgio e de fornecimento de inimigos naturais capazes de migrar para os cultivos.
Segundo Santos, entender a composição da fauna de insetos nas plantações e em seus arredores é um passo decisivo para fortalecer práticas agrícolas sustentáveis. Valorizar espécies como os crisopídeos representa uma forma de equilibrar alta produtividade com preservação ambiental no Acre.
