UTIs infantis chegam a 90% de ocupação e médica faz alerta sobre avanço da SRAG no Acre

Segundo a especialista, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) seguem em crescimento no estado e já ultrapassam 1,4 mil registros em 2026

O avanço das doenças respiratórias no Acre tem acendido um sinal de alerta entre profissionais da saúde. Diante do aumento dos casos e da pressão sobre a rede hospitalar, a pneumologista Célia Rocha destacou a gravidade do cenário atual, especialmente entre crianças pequenas, consideradas o grupo mais vulnerável às complicações.

Diante do aumento dos casos a pneumologista Célia Rocha destacou a gravidade do cenário atual: Foto/Reprodução

Segundo a especialista, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) seguem em crescimento no estado e já ultrapassam 1,4 mil registros em 2026. O reflexo desse avanço também é observado na ocupação das unidades de terapia intensiva pediátricas, que já operam com cerca de 90% da capacidade.

De acordo com a médica, a situação é especialmente preocupante entre crianças menores de dois anos, faixa etária que concentra os quadros mais graves da doença.

“São 37 óbitos infantis”, destacou. “Crianças e bebês abaixo de 2 anos são os casos mais graves. A capital Rio Branco lidera o índice de casos”, explicou.

Entre os vírus que mais têm contribuído para o aumento das internações, o destaque é para o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), frequentemente associado a doenças como bronquiolite e pneumonia. Outros agentes virais também seguem circulando com intensidade no estado.

“O principal vírus circulante é o Sincicial Respiratório, levando a complicações como bronquiolite e pneumonia. Seguido pelo rinovírus e influenza”, disse Célia.

Outro fator que preocupa os especialistas é a baixa adesão à campanha de vacinação. Conforme os dados apresentados pela pneumologista, menos de 40% do público-alvo foi imunizado até o momento, percentual considerado insuficiente para garantir proteção coletiva.

“A taxa ideal de vacinação é de 90%”, ressaltou.

A médica também observou que a circulação dos vírus respiratórios apresentou crescimento expressivo em comparação ao ano passado.

“Há um aumento de incidência viral acima de 31% em relação ao ano anterior”, afirmou.

Diante desse quadro, a especialista reforçou a importância das medidas preventivas, como evitar ambientes com grande concentração de pessoas e manter hábitos constantes de higiene.

“É importante evitar aglomerações e manter a higienização das mãos permanentemente”, orientou.

Durante sua análise sobre o cenário da saúde pública, Célia Rocha também comentou o uso do salbutamol no tratamento de doenças respiratórias e levantou preocupação quanto ao abastecimento de insumos na rede de saúde.

“O Salbutamol já está obsoleto”, afirmou, acrescentando que suspeita da existência de dificuldades no abastecimento de insumos em algumas unidades de saúde. “Presumo que esteja havendo falta de insumos nas diversas unidades de saúde”, finalizou.