Sol registra três fortes erupções em menos de 24 horas e eleva chance de auroras na Terra

O Sol apresentou uma sequência intensa de atividade nas últimas horas, com três erupções solares significativas registradas em menos de um dia. O fenômeno aumenta a possibilidade de ejeções de massa coronal seguirem em direção à Terra e provocarem tempestades geomagnéticas capazes de intensificar a ocorrência de auroras em latitudes mais baixas.

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As erupções tiveram origem na região ativa 4455, um grupo de manchas solares atualmente voltado para o nosso planeta. A área, considerada instável por especialistas em clima espacial, produziu primeiro uma erupção de magnitude 9,3, que atingiu o pico às 21h36 do dia 2 de junho no horário da costa leste dos Estados Unidos, equivalente a 01h36 GMT de 3 de junho.

Poucas horas depois, a mesma região voltou a liberar energia. Uma nova erupção, de magnitude 7,9, foi registrada às 3h EDT, ou 7h GMT. Em seguida, às 7h28 EDT, 11h28 GMT, ocorreu uma erupção de classe X1, categoria considerada a mais intensa na escala usada para classificar esse tipo de evento solar.

A sequência provocou impactos imediatos nas comunicações de rádio em diferentes regiões do planeta. Segundo dados associados ao Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA, as duas primeiras erupções causaram apagões moderados de nível R2. A primeira afetou áreas do Leste Asiático e da Austrália, enquanto a segunda atingiu partes da Europa e da África. Já a erupção de classe X gerou um apagão mais forte, de nível R3, com efeitos sobre regiões da Europa e da Ásia.

Além das erupções, meteorologistas espaciais analisam a possibilidade de múltiplas ejeções de massa coronal, conhecidas como EMCs, estarem em rota parcial ou direta para a Terra. Esses eventos consistem em grandes liberações de plasma e campo magnético vindas da atmosfera solar. Quando atingem o campo magnético terrestre, podem desencadear tempestades geomagnéticas.

O Serviço Meteorológico do Reino Unido informou que a erupção de magnitude 9,3 foi acompanhada por uma EMC considerada fraca, mas rápida, com previsão de chegada à Terra em 4 de junho. Uma segunda ejeção, possivelmente associada à erupção de magnitude 7,9, também está sob análise. Já a trajetória de uma possível EMC ligada à erupção X1 ainda não foi definida.

Interrupções moderadas no sinal de rádio R2 associadas à erupção solar de magnitude 9,3. – (Crédito da imagem: Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA.)

Diante do cenário, o Met Office emitiu alerta de tempestade geomagnética forte, de nível G3, válido entre 4 e 6 de junho. A previsão indica possibilidade de atividade entre os níveis G1 e G3, com pequena chance de episódios isolados mais severos, de nível G4, caso as ejeções solares atinjam a Terra com maior intensidade do que o previsto.

Atividade solar pode gerar auroras

O aumento da atividade solar pode trazer um efeito visual marcante: auroras mais intensas e visíveis em regiões fora das zonas polares habituais. Caso as previsões se confirmem, a aurora boreal poderá ser observada em latitudes mais baixas a partir da noite de quinta-feira.

Enquanto novas análises são conduzidas para determinar a velocidade e a direção exata das ejeções solares, a região 4455 permanece como foco principal dos cientistas. A área ainda reúne condições para produzir novas erupções intensas nos próximos dias. De qualquer forma, o Brasil não está dentro da região que pode observar auroras.

Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Lucas Soares