China pode descobrir se famoso asteroide é mesmo parte da Lua

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Lançada em maio de 2025, a missão chinesa Tianwen-2 está a caminho do asteroide Kamo’oalewa para coletar amostras que devem chegar à Terra no fim de 2027. Até então, essa rocha espacial vinha sendo apontada como um possível fragmento da Lua. No entanto, um novo estudo publicado na revista Nature Communications sugere uma origem diferente para o objeto.

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Kamo’oalewa é um quase-satélite da Terra, ou seja, um corpo que orbita o Sol, mas permanece próximo ao nosso planeta. Com menos de 100 metros de diâmetro, o asteroide chama a atenção por sua rápida rotação, completando uma volta em torno de si mesmo em cerca de 28 minutos.

Em resumo:

Missão chinesa pretende coletar amostras do asteroide Kamo’oalewa;

Objeto era considerado possível fragmento desprendido da Lua;

Nova análise indica semelhanças com meteoritos condritos LL;

Experimentos reproduziram coloração avermelhada sem origem lunar;

Simulações sugerem origem na família de asteroides Flora;

Amostras da missão poderão confirmar a verdadeira origem.
Representação artística do asteroide Kamo’oalewa, alvo da missão chinesa de amostragem de asteroides Tianwen 2. Alguns astrônomos acham que essa rocha espacial pode ser um pedaço da Lua. – Crédito: Addy Graham/Universidade do Arizona

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Coloração do asteroide sugere origem na Lua

A hipótese de que o objeto seria um pedaço da Lua surgiu principalmente por causa de sua coloração. O espectro de luz avermelhado refletido por sua superfície se parecia com o do solo lunar, desgastado por bilhões de anos de exposição ao ambiente espacial.

Agora, uma equipe liderada pelo cientista planetário Yang Li, da Academia Chinesa de Ciências, questiona essa interpretação. Ao reanalisar a luz refletida por Kamo’oalewa, os pesquisadores identificaram características mais compatíveis com os chamados condritos LL, um tipo comum de meteorito encontrado na Terra.

Para testar a ideia, os cientistas trituraram um meteorito condrito LL e submeteram o material a disparos de laser. O experimento simulou os efeitos do vento solar e dos impactos de micrometeoritos ao longo de milhões de anos. Com o tempo, o pó adquiriu uma coloração muito semelhante à observada no asteroide.

Análise microscópica de amostras que simulam o intemperismo espacial no asteroide Kamo’oalewa. Através de microscopia eletrônica de varredura (a, b, c), é possível identificar a formação de aglutinados e marcas de derretimento em minerais como olivina e piroxênio. Já a microscopia de transmissão (d, e, f, g) detalha uma camada superficial amorfa contendo nanopartículas metálicas de ferro ($alpha$-Fe), revelando as alterações estruturais causadas pelo impacto constante de micrometeoritos. – Crédito: Zhang, P., Zhang, G., Wei, Z. et al.

Outras rochas têm características semelhantes

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Segundo os pesquisadores, isso demonstra que uma superfície rica em condritos LL pode se tornar tão avermelhada quanto o solo lunar sem necessariamente ter origem na Lua. A equipe também encontrou outros asteroides com características semelhantes, indicando que essa coloração não é exclusiva de fragmentos lunares.

Simulações orbitais apontam que Kamo’oalewa pode ter se originado na família Flora, um grupo de asteroides localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter. De qualquer forma, os autores destacam que a hipótese lunar ainda não foi totalmente descartada. A resposta definitiva poderá vir quando a nave Tianwen-2 retornar à Terra com amostras da rocha para análise direta em laboratório.

Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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Tags:
Asteroide
China
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia