A missão estendida da sonda Hayabusa2, da agência espacial japonesa JAXA, ganhou um novo elemento de debate após a publicação de um estudo preliminar que levanta uma hipótese incomum sobre seu próximo destino. O alvo da nave é o asteroide 1998 KY26, com encontro previsto para julho de 2031, mas alguns pesquisadores sugerem que o objeto pode não ser um asteroide natural.
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A proposta aparece em um artigo ainda não revisado por pares e indica que o corpo celeste pode ter origem tecnológica, possivelmente relacionado à sonda soviética Phobos 1, perdida durante uma missão rumo a Marte em 1988. Os próprios autores destacam que a hipótese está longe de ser conclusiva e que serão necessárias novas observações para confirmar ou descartar essa possibilidade.
Superfície do asteroide Ryugu fotografada durante a noite pela câmera da sonda MASCOT, que integrou a missão Hayabusa2 – Imagem: MASCOT/DLR/JAXA
Missão da Hayabusa2 segue após sucesso em Ryugu
A Hayabusa2 já concluiu uma das etapas mais importantes de sua trajetória ao coletar amostras do asteroide Ryugu e enviá-las à Terra durante uma passagem próxima ao planeta. Em 2020, pouco antes da chegada desse material, a JAXA anunciou a extensão da missão e definiu o 1998 KY26 como seu próximo destino.
Segundo a agência espacial japonesa, trata-se de uma missão de longo prazo, com duração superior a dez anos. Além do encontro com o objeto, a equipe chegou a considerar desafios adicionais, como a liberação de marcadores de alvo e até tentativas de pouso.
Asteroide se mostrou diferente do esperado
Em 2024, uma equipe de astrônomos utilizou o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, para estudar o objeto com mais detalhes. A expectativa era confirmar estimativas anteriores sobre tamanho e massa, mas os resultados surpreenderam os pesquisadores.
De acordo com o cientista planetário Toni Santana-Ros, da Universidade de Alicante e da Universidade de Barcelona, o corpo apresentou características bastante diferentes das previstas. O objeto seria entre três e quatro vezes menor do que o estimado anteriormente, além de girar aproximadamente duas vezes mais rápido.
Imagem aérea do Very Large Telescope, observatório astronômico localizado no Chile – Imagem: G.Hüdepohl (atacamaphoto.com)/ESO
As observações indicam que o 1998 KY26 possui cerca de 11 metros de diâmetro, enquanto a Hayabusa2 mede aproximadamente 6 metros. Também foi identificado um brilho maior do que o esperado, característica que mais tarde seria utilizada como argumento pelos autores da nova hipótese.
Hipótese relaciona objeto à sonda Phobos 1
O estudo preliminar compara a trajetória atual do 1998 KY26 com possíveis órbitas que poderiam ter sido seguidas pela Phobos 1, lançada pela União Soviética em 7 de julho de 1988 para estudar Fobos, lua de Marte.
A missão foi interrompida em 2 de setembro daquele ano após a perda de contato com a nave. Segundo o relato citado no artigo, o problema teria sido provocado por uma sequência incorreta de comandos enviada ao veículo espacial.
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Os pesquisadores argumentam que duas manobras de propulsão, somando uma variação de velocidade de 1,9 quilômetro por segundo, poderiam alinhar as órbitas dos dois objetos. O grupo afirma ainda que esse desempenho estaria dentro da capacidade técnica da Phobos 1.
O que sustenta a teoria
Entre os elementos apontados pelos autores estão a alta refletividade observada no objeto e o fato de ele permanecer íntegro apesar de sua rápida rotação. Segundo o estudo, esse comportamento não seria o mais esperado para um asteroide formado por fragmentos soltos.
O trabalho também sugere que o corpo parece ser bastante alongado, característica inferida a partir das variações de brilho registradas por telescópios.
Apesar disso, os próprios pesquisadores ressaltam que outras explicações continuam possíveis. Uma estrutura naturalmente mais sólida ou fatores ainda desconhecidos também poderiam justificar as características observadas.
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Os autores afirmam que as observações realizadas pela Hayabusa2 em 2031 deverão fornecer informações decisivas para determinar a verdadeira natureza do objeto. Até lá, a hipótese permanece como uma possibilidade em investigação, e não como uma conclusão estabelecida.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Ana Luiza Figueiredo
