Samsung tenta evitar greve histórica em meio à crise global de chips

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A Samsung Electronics e sindicatos na Coreia do Sul retomaram as tentativas para chegar a um acordo e evitar uma greve histórica que pode afetar os lucros da empresa. A paralisação está marcada para começar na quinta-feira (21), com novas negociações previstas para esta terça-feira (18).

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O movimento acontece em um momento delicado para o setor de semicondutores. A forte demanda global por chips usados em inteligência artificial vem causando escassez no setor – o que aumentou a demanda da Samsung e, consequentemente, seus lucros.

A greve está prevista para durar 18 dias a partir de quinta-feira e pode envolver cerca de 47 mil trabalhadores. O temor do governo sul-coreano e da indústria é que a greve afete exportações, pressione a economia e provoque impactos nas cadeias globais de suprimentos.

A Samsung é atualmente a maior fabricante de chips de memória do mundo e responde por quase um quarto das exportações sul-coreanas. Os chips produzidos pela empresa abastecem setores como data centers de IA, smartphones e computadores.

As negociações entre empresa e sindicato foram retomadas após o fracasso da primeira rodada de mediação feita pelo governo na semana passada. Segundo representantes sindicais, as conversas continuam sendo conduzidas “de boa fé”.

O presidente da Comissão Nacional de Relações Trabalhistas da Coreia do Sul, Park Su-keun, afirmou que as partes ainda estão distantes de um acordo, mas confirmou que novas reuniões ocorrerão antes da paralisação.

Samsung é a principal fornecedora de chips de memória atualmente – Imagem: sasirin pamai / Shutterstock

O que querem os trabalhadores x Samsung

Segundo a agência Reuters, o principal impasse envolve salários e bônus. O sindicato quer o fim do teto de pagamento equivalente a 50% do salário anual e exige que 15% do lucro operacional anual da companhia seja destinado a um fundo compartilhado entre os funcionários.

A Samsung apresentou uma contraproposta: distribuir entre 9% e 10% do lucro operacional anual em bônus, desde que a empresa ultrapasse 200 trilhões de won em lucro neste ano. A fabricante, porém, insiste em manter o limite máximo atual de 50% sobre os salários anuais.

Enquanto as negociações avançam lentamente, uma decisão judicial aumentou a pressão sobre os sindicatos. Um tribunal sul-coreano concedeu parcialmente uma liminar solicitada pela Samsung para impedir ações consideradas ilegais durante a greve.

Na prática, a decisão pode obrigar parte dos trabalhadores a continuar atuando nas fábricas para evitar danos às linhas de produção e aos materiais utilizados na fabricação de chips.

Caso descumpram a ordem judicial, os sindicatos podem ser multados em até 100 milhões de won por dia. Já os líderes sindicais poderão receber multas diárias de 10 milhões de won.

Mesmo assim, o sindicato afirmou que a decisão não impedirá a paralisação caso não haja acordo. A entidade também declarou que não aceitará uma proposta salarial considerada inferior às reivindicações atuais.

Procurada pela Reuters, a Samsung não comentou o caso.

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Mercado reagiu positivamente à decisão da Coreia do Sul – Imagem: JarTee/Shutterstock

Samsung pressiona economia da Coreia do Sul

O mercado reagiu positivamente à decisão judicial. As ações da Samsung chegaram a subir 6,7% durante o pregão antes de encerrarem o dia com alta de 3,88%, acima do desempenho do índice sul-coreano KOSPI, que avançou 0,31%.

O governo da Coreia do Sul acompanha a situação com preocupação crescente. Autoridades alertam que uma paralisação prolongada pode afetar crescimento econômico, exportações e mercados financeiros.

O primeiro-ministro sul-coreano Kim Min-seok declarou que o governo avalia todas as alternativas para evitar a greve, incluindo a possibilidade de arbitragem de emergência. Esse mecanismo permite ao Ministério do Trabalho suspender imediatamente uma greve por até 30 dias caso o conflito seja considerado uma ameaça à economia ou à vida cotidiana, enquanto uma mediação oficial é conduzida.

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O cenário é agravado pelo momento vivido pela indústria de semicondutores. A explosão da demanda por infraestrutura de inteligência artificial ampliou a escassez global de chips de memória e elevou os lucros de fabricantes como Samsung e concorrentes.

Segundo relatos da imprensa sul-coreana, executivos da divisão de chips da Samsung chegaram a pedir diretamente ao sindicato que evitasse a paralisação. O motivo seria a preocupação de clientes estratégicos, incluindo empresas como a Nvidia.

Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Vitoria Lopes Gomez