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O julgamento do processo movido por Elon Musk contra a OpenAI está numa fase decisiva num tribunal federal de Oakland, na Califórnia (EUA). Agora, cabe a nove jurados ponderar se a OpenAI fez algo errado ao mudar sua, digamos, natureza.
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O bilionário acusa o CEO da startup, Sam Altman, e o presidente Greg Brockman de quebrarem o acordo de fundação de 2015 ao transformarem a organização sem fins lucrativos numa entidade com foco justamente em lucro.
Musk busca a destituição dos executivos, a anulação da reestruturação e o redirecionamento de US$ 134 bilhões (R$ 677 bilhões) para o braço filantrópico da empresa.
A disputa judicial teve semanas de depoimentos que expuseram a intensa rivalidade entre antigos aliados e trouxeram à tona crises internas na desenvolvedora do ChatGPT.
Enquanto a defesa da OpenAI acusa Musk de agir por inveja e tentativa frustrada de controle, os advogados do bilionário focam na credibilidade de Altman para convencer os jurados.
O desfecho do caso é crucial para a startup, que planeja abrir capital ainda em 2026 com uma avaliação de mercado projetada em US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).
Antigos aliados trocam acusações sobre origens e controle da OpenAI
A relação entre Elon Musk e Sam Altman foi de cooperação próxima para rivalidade amarga no Vale do Silício. Durante as sessões no tribunal, Musk descreveu a si mesmo como um benfeitor que idealizou o nome e financiou o início da OpenAI para proteger a humanidade dos riscos da inteligência artificial (IA).
“Eu doei US$ 38 milhões [R$ 192 milhões] essencialmente por nada, que eles usaram para construir uma empresa que vale US$ 800 bilhões [R$ 4 trilhões]. Eu fui literalmente um idiota”, disse Musk em seu depoimento inicial.
“Eu doei US$ 38 milhões (…) Eu fui um idiota”, disse Elon Musk durante depoimento em julgamento da sua ação judicial contra a OpenAI – Imagem: Frederic Legrand-COMEO/Shutterstock
Por outro lado, os representantes legais da OpenAI argumentam que a ação judicial não passa de ressentimento por uma tentativa fracassada de aquisição em 2018.
A empresa afirma que Musk estava ciente dos planos de transição comercial e que abandonou o conselho administrativo por capricho.
“O sr. Musk tentou convencer vocês de que suas doações de anos atrás para a OpenAI vieram com amarras, fortes o suficiente para durar para sempre, para amarrar a OpenAI em nós enquanto ela buscava sua missão”, afirmou a advogada da OpenAI, Sarah Eddy, em seus argumentos finais.
A acusação insiste que a mudança de rumo da empresa desvirtuou completamente o propósito de utilidade pública estabelecido originalmente.
Para o bilionário, o núcleo da disputa jurídica envolve a apropriação indevida de uma iniciativa de caridade para fins de enriquecimento privado.
“Eles vão tornar esse processo muito complicado, mas na verdade é bem simples. Isto é: não é certo roubar uma instituição de caridade”, disse Musk em seu testemunho na corte.
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Em seu depoimento na última semana, Sam Altman rebateu formalmente a acusação de que teria se apropriado indevidamente da estrutura filantrópica da companhia.
O executivo revelou que o próprio bilionário exigia controle total caso uma divisão com fins lucrativos fosse criada na época. “O sr. Musk acreditava firmemente que, se fôssemos formar uma empresa com fins lucrativos, ele precisaria de controle total sobre ela inicialmente”, disse Altman.
O CEO acrescentou que a exigência o deixou extremamente desconfortável.
Credibilidade de Sam Altman se torna ponto central das discussões no tribunal
A questão da confiança mútua e da integridade corporativa emergiu como o pilar central do julgamento na reta final das audiências. A equipe jurídica de Musk concentrou seus ataques na honestidade de Altman perante o júri, usando depoimentos de testemunhas que trabalharam diretamente com o executivo.
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O advogado de Musk, Steven Molo, enfatizou que o histórico de gestão de Altman e sua suposta falta de transparência invalidam a defesa apresentada pela OpenAI.
“Parece difícil até mesmo processar esse tipo de enquadramento”, declarou Altman sobre a acusação de roubo da caridade – Imagem: FotoField/Shutterstock
Durante o encerramento, os advogados de acusação trouxeram à tona o episódio de 2023, quando o executivo foi demitido temporariamente pelo antigo conselho administrativo por não ser de todo sincero.
“Pessoas que trabalharam com ele o chamaram de mentiroso sob juramento, essa é uma palavra muito forte”, relembrou Molo no tribunal.
Além das acusações de falsidade, o julgamento expôs detalhes financeiros substanciais sobre o enriquecimento dos líderes da startup.
A acusação questionou a legitimidade de Brockman deter uma participação acionária bilionária numa estrutura originada como filantrópica.
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“Você não pode ter caras com US$ 30 bilhões [R$ 152 bilhões] e alegar que eles têm direito a isso. Você não pode ter caras fazendo negócios em benefício próprio… isso não é uma organização sem fins lucrativos”, criticou Molo em sua sustentação oral.
Durante o contra-interrogatório conduzido por Molo, o CEO da OpenAI foi questionado se considerava a si mesmo uma pessoa totalmente confiável e se já havia enganado colegas ou investidores no passado.
Altman defendeu sua reputação diante dos jurados e classificou as acusações como distorções da história da empresa. “Parece difícil até mesmo processar esse tipo de enquadramento”, declarou Altman sobre a acusação de roubo da caridade.
(Essa matéria usou informações de CNBC e TechCrunch.)
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni
