Uma equipe internacional de astrônomos usou o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para mapear, pela primeira vez, o clima de exoplanetas rochosos com massa similar à da Terra.
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O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, revelou que os planetas TRAPPIST-1b e TRAPPIST-1c provavelmente não possuem atmosferas. Os pesquisadores observaram variações térmicas que ultrapassam os 500ºC entre o dia e a noite.
A descoberta é fundamental para a astrobiologia. Isso porque o sistema TRAPPIST-1, descoberto há dez anos, funciona como um laboratório para entender a habitabilidade em torno de estrelas anãs vermelhas.
Ao confirmar que a intensa radiação e os fluxos de partículas dessas estrelas podem corroer atmosferas densas, cientistas conseguem refinar os modelos de evolução planetária e direcionar a busca por vida para mundos ligeiramente mais distantes de suas estrelas hospedeiras.
Por meio do telescópio James Webb, cientistas observam extremos de temperatura e ausência de ar em planetas ‘primos’ da Terra
O TRAPPIST-1 é um sistema solar vizinho que possui sete planetas rochosos orbitando uma estrela anã vermelha. Os astrônomos envolvidos na pesquisa em questão usaram o telescópio James Webb para verificar se os dois planetas mais próximos dessa estrela (TRAPPIST-1b e 1c) poderiam sustentar vida.
O fenômeno do ‘rosto preso’ (rotação sincronizada)
Devido à proximidade com a estrela, esses planetas sofrem uma força de maré tão forte que eles não giram igual a Terra. Eles mostram sempre a mesma face para a estrela, assim como a Lua faz com a Terra.
Por isso, nesses planetas é assim:
Lado dia: Eternamente voltado para a estrela, recebendo radiação de maneira constante;
Lado noite: Escuridão total e permanente.
Num planeta com atmosfera, o ar circula e leva o calor do lado quente para o lado frio, o que equilibra a temperatura. Sem atmosfera, não há essa troca. Por isso, o lado iluminado frita e o lado escuro congela.
Os dados do James Webb mostraram uma diferença de temperatura brutal: superior a 500°C entre os dois lados.
Para você ter ideia: em TRAPPIST-1b, a temperatura no “lado dia” chega a 200ºC, enquanto no “lado noite” fica abaixo de -200ºC.
Essa variação extrema prova que esses planetas não possuem atmosferas densas. Se algum dia tiveram ar, a radiação intensa da estrela anã vermelha, que é muito mais agressiva que o nosso Sol, “soprou” a camada de gás para o espaço.
Por que isso não é o fim das esperanças?
O fato de os planetas mais próximos serem rochas estéreis não significa que o sistema todo seja assim. No nosso próprio Sistema Solar, por exemplo, Mercúrio é uma rocha pelada, enquanto a Terra e Vênus mantiveram suas atmosferas.
O foco agora é o planeta TRAPPIST-1e. Ele está na “zona habitável” e pode ter tido melhor sorte em conservar seu ar. E, quem sabe, água em estado líquido.
(Essa matéria usou informações da Universidade de Genebra.)
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni
