Diante do risco elevado de propagação do sarampo no estado, o Governo do Acre declarou estado de emergência em saúde pública. A medida foi formalizada através do Decreto nº 11.724, publicado nesta quinta-feira (17), com validade inicial de 90 dias.
O documento, assinado pelo governador Gladson Cameli, determina que a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) ficará responsável por coordenar as ações necessárias para o enfrentamento da situação. A decisão também estabelece que os órgãos e instituições da administração estadual devem dar prioridade às demandas da Sesacre enquanto durar a emergência.

Casos de sarampo explodiram na Bolívia/Foto: Reprodução
Com o decreto em vigor, o governo está autorizado a tomar medidas administrativas imediatas, inclusive realizar gastos considerados essenciais para garantir a continuidade e a eficiência da resposta pública. Além disso, a Sesacre poderá editar normas complementares com o objetivo de enfrentar o problema de maneira mais ágil.
O alerta se baseia em dados epidemiológicos recentes que indicam o ressurgimento global do sarampo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 359 mil casos foram registrados em 184 países ao longo de 2024. Já em 2025, até o mês de junho, os números ultrapassam 88 mil confirmações em 168 nações. O continente americano teve um salto de 29 vezes no número de infectados em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Um dos principais fatores de preocupação para o Acre é a situação da Bolívia, país vizinho que já decretou emergência nacional diante da explosão de casos. A baixa cobertura vacinal no estado acreano, inferior aos 95% recomendados pelas autoridades sanitárias, somada à elevada taxa de abandono do esquema de imunização, contribui para a vulnerabilidade da população local.
O decreto ainda chama atenção para a mudança no perfil dos infectados, com aumento dos casos entre adolescentes e adultos jovens, o que revela lacunas ou ausência de vacinação adequada durante a infância.
