Um novo levantamento divulgado nesta quinta-feira (6) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que tanto o estado do Acre quanto sua capital, Rio Branco, apresentam sinais de avanço contínuo nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os dados recentes apontam uma tendência de alta sustentada, com destaque para a presença significativa de vírus como influenza A, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e rinovírus, que vêm impactando sobretudo crianças pequenas e idosos.

Segundo Portella, o aumento expressivo dos casos entre crianças de até quatro anos tem como principal vetor o VSR: Foto/ Reprodução
O estudo faz parte do Boletim InfoGripe, que analisa semanalmente os indicadores epidemiológicos. A publicação mostra que Rio Branco está entre as 15 capitais brasileiras em condição considerada preocupante, com classificação de risco que varia entre alerta e alto risco. A tendência de crescimento a longo prazo eleva ainda mais a atenção sobre o quadro regional. De acordo com o relatório, o Acre integra a lista das 25 unidades federativas com evolução semelhante.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, comentou que, embora algumas regiões do país demonstrem indícios de estabilização nos números, os índices permanecem elevados — incluindo os estados do Norte.
Segundo Portella, o aumento expressivo dos casos entre crianças de até quatro anos tem como principal vetor o VSR, embora o rinovírus e a influenza A também estejam contribuindo significativamente para o crescimento de internações, tanto nessa faixa etária quanto entre adolescentes. A análise das últimas oito semanas revela que a mortalidade por SRAG se distribuiu de maneira parecida entre crianças e idosos, mas com agentes distintos: nas pessoas mais velhas, a influenza A foi predominante, enquanto entre os mais jovens, o rinovírus e o VSR se destacaram.
A Fiocruz chama a atenção para a necessidade de ampliar a cobertura vacinal contra a gripe, especialmente nos públicos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. A baixa adesão à campanha de vacinação tem sido motivo de preocupação para autoridades de saúde, que temem um agravamento da situação caso a imunização não avance.
Até o momento, em 2025, o país já notificou mais de 83 mil ocorrências de SRAG, sendo que quase 50% dos casos tiveram confirmação laboratorial de infecção por algum tipo de vírus respiratório. A combinação de múltiplos agentes virais em circulação tem sobrecarregado o sistema de saúde em várias localidades, incluindo o Acre, onde os dados sugerem que o ponto máximo da curva de contágio ainda não foi alcançado.
