Operação contra facção criminosa descobre ‘fazenda’ de criptomoedas

COMPARTILHAR0SigaSiga Google Discover Polícia do Rio descobre central de criptomoedas do Comando Vermelho no Lins/ Foto: PCERJ

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta sexta-feira (22), uma nova fase da Operação Contenção, cujo objetivo é desarticular o núcleo operacional e financeiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na zona norte da capital. A incursão tática concentrou-se no Complexo do Lins e resultou, até o início desta tarde, na prisão de dez pessoas envolvidas com o crime organizado.

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Durante o cumprimento das ordens judiciais em vielas da comunidade, inspetores de polícia localizaram uma estrutura tecnológica inédita na região: uma central clandestina de mineração de criptomoedas. A “fazenda” digital operava com pelo menos 30 computadores de alta performance interconectados em linha, dispostos em prateleiras industriais no interior de um imóvel com aparência de abandono.

Para viabilizar a atividade que exige um consumo massivo de eletricidade, os criminosos instalaram um “gato”, apelido para ligações clandestinas de energia, conectado diretamente à rede de alta tensão de um poste da concessionária local. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) investiga se a captação de Bitcoins e outros ativos digitais passou a ser adotada pela cúpula do tráfico como mecanismo de lavagem de dinheiro.

A atividade de mineração de criptoativos consiste na resolução de problemas matemáticos complexos por meio de processadores adaptados, em que a máquina mais rápida garante uma recompensa financeira em moeda digital. Embora o procedimento seja legalizado no Brasil, o esquema no Complexo do Lins configurava crime de furto de energia qualificado.

Com o desvio da rede elétrica, a organização eliminava o custo operacional mais oneroso do processo, maximizando as margens de lucro. O galpão tecnológico contava com exaustores de parede e ventoinhas de refrigeração industrial em cada CPU para impedir o superaquecimento do sistema. No momento da abordagem, o local estava vazio, confirmando a tese de que a manutenção e o fluxo de transações das moedas eram monitorados de forma remota pelos operadores do tráfico.

A ação de campo contou com o apoio de veículos blindados e helicópteros do Serviço de Operações Aéreas. Moradores relataram intensos confrontos armados nas primeiras horas do dia. O foco principal da operação, desenhada em parceria com a 26ª DP (Todos os Santos), era o cumprimento de 6 mandados de prisão preventiva e 30 ordens de busca e apreensão contra o escalão do CV responsável pelo controle territorial armado, roubos de carga, assaltos a residências de luxo e extorsões na zona norte.

As investigações apontam que os traficantes mantinham um sistema interno de monitoramento em tempo real para mapear o deslocamento de viaturas policiais, alertando comparsas por meio de grupos restritos em aplicativos de mensagens.

Em paralelo, os agentes estouraram uma base no Lins voltada ao golpe da “falsa central telefônica”, operada em consórcio com a Polícia Civil do Piauí. O esquema consistia em telefonemas em que criminosos se passavam por auditores de segurança de bancos. Sob falsos pretextos de fraudes nas contas das vítimas, os estelionatários induziam os correntistas a transferir saldos ou ceder o controle de aplicativos bancários. Os mandados executados no Rio e no Nordeste visam o bloqueio de bens e o confisco de celulares e mídias digitais para identificar novos elos do esquema financeiro.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: ContilNet por Fhagner