Edvaldo acusa esquema de juros abusivos envolvendo Banco Master e servidores do Acre

Segundo o deputado, a operação favoreceu empresas financeiras enquanto servidores acumulavam dívidas

O deputado estadual Edvaldo Magalhães voltou a criticar, nesta terça-feira (19), na tribuna da Assembleia Legislativa do Acre, o funcionamento do cartão consignado Avancard no estado. Durante o pronunciamento, o parlamentar afirmou que a operação teria ligação com o Banco Master, administrado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, e levantou suspeitas sobre possíveis interesses por trás da negociação envolvendo servidores públicos acreanos.

O deputado estadual Edvaldo Magalhães voltou a criticar o funcionamento do cartão consignado Avancard no estado: Foto/Juan Diaz/ContilNet

Ao comentar o assunto, Edvaldo insinuou que a adesão do modelo pode ter ocorrido mediante favorecimentos políticos e financeiros. Segundo ele, os detalhes da relação entre a empresa e o funcionalismo estadual ainda precisam ser esclarecidos.

“Sabe qual a plataforma que operava o cartão Avancard? O Banco Master. Quem fez essa negociação? Que favor foi esse? Houve troca de favores para botar a conta de todos os servidores públicos em cima de um negócio de juros altíssimos? Haveremos de saber no curso dessas investigações, porque o telefone do rapaz [Daniel Vorcaro] fala mais que qualquer investigador da Polícia Federal”, afirmou.

O parlamentar relembrou que a situação teve início em 2020, após uma mudança nas regras da margem consignável dos servidores estaduais, autorizada por decreto do governo do Acre. Conforme explicou, além do percentual já permitido para empréstimos em folha, foi incluída uma nova margem destinada ao cartão consignado.

Na avaliação do deputado, a medida abriu espaço para o comprometimento excessivo da renda dos trabalhadores públicos, permitindo descontos que chegavam à metade do salário.

Edvaldo também criticou os juros praticados na época e afirmou que muitos servidores acabaram presos em dívidas difíceis de quitar.

“Com esse contrato na mão, três meses depois o Estado baixa um decreto alterando a margem consignada dos servidores, botando ali um jaboti bem gordo, que foi a introdução sorrateiramente do desconto para além de 35% podendo chegar a 15% de um cartão de crédito. Isso começou a criar um problema no comércio, à época, e muitos servidores contrataram essas operações. Sabe quanto era o juro mensal em 2022, que foi quando a polêmica se instalou? Era mais de 5% ao mês. Era impagável”, declarou.

Durante o discurso, o deputado afirmou ainda que o formato da operação teria beneficiado empresas financeiras enquanto os servidores enfrentavam dificuldades econômicas e endividamento crescente.

“Na mão grande se traz um cartão falso, que era de crédito consignado, que nada mais era uma burla consignada, com risco zero de perda. Estavam inviabilizando os servidores públicos”, disse.

Ao encerrar a fala, Edvaldo Magalhães destacou que a Assembleia Legislativa atuou para barrar a continuidade do modelo e afirmou que a medida foi encerrada após iniciativa aprovada no parlamento estadual.

“Nós aprovamos o decreto e acabamos essa pouca vergonha”, concluiu.