Um artigo publicado este mês na revista Nature Astronomy esclarece um dos principais mistérios do Sol: como se formam e se mantêm as proeminências solares. Essas enormes estruturas de plasma podem permanecer estáveis por semanas ou meses na atmosfera solar, apesar das condições extremas ao redor.
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Em resumo:
Estudo explica como se formam proeminências solares;
Estruturas de plasma podem durar semanas ou meses;
Campos magnéticos mantêm essas formações estáveis no Sol;
Magnetismo cria regiões onde plasma frio se acumula;
Entendimento ajuda prever clima espacial e impactos terrestres.
As proeminências são formações gigantescas de plasma que se estendem por milhares de quilômetros acima da superfície solar. Elas ficam na coroa do Sol, uma região extremamente quente, com temperaturas que chegam a milhões de graus. Já as proeminências são muito mais frias, cerca de 10 mil graus Celsius, e também podem ser até cem vezes mais densas que o ambiente ao redor.
Uma enorme proeminência solar sobre o Sol – Crédito: NASA/SDO
Estruturas parecem “montanhas flutuantes” presas por campos magnéticos
Em um comunicado, os pesquisadores explicam que essas estruturas podem ser comparadas a “montanhas flutuantes” presas por campos magnéticos. Segundo Lisa-Marie Zeßner-Ondratschek, do Instituto Max Planck, na Alemanha, o campo magnético é a principal força que organiza e sustenta esses fenômenos. Ele atua em todas as etapas, desde a formação até a manutenção dessas estruturas na atmosfera solar.
Modelos recentes mostram que o magnetismo cria regiões elevadas próximas à superfície do Sol, formando uma espécie de “vale” entre elas. Nesse espaço, o plasma mais frio se acumula. Parte desse material vem da cromosfera, enquanto outra parte desce da coroa ao longo das linhas do campo magnético, resfriando-se e ajudando a manter a estrutura ativa.
Esta visualização científica detalha a dinâmica solar, revelando como o campo magnético molda a proeminência acima da fotosfera. O gráfico destaca a transição entre a zona de convecção e a coroa, mapeando variações críticas de densidade do plasma e magnetismo – Crédito: MPS / CC BY-NC-ND
Os novos cálculos conseguem representar com mais precisão como esses processos trabalham em conjunto. Eles indicam um equilíbrio contínuo entre o material que entra e o que se perde, o que ajuda a explicar por que as proeminências podem se manter estáveis por tanto tempo.
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Entender essas estruturas é importante para prever o clima espacial. Quando se tornam instáveis, podem gerar explosões que lançam partículas pelo Sistema Solar e alcançar a Terra, afetando satélites e redes elétricas.
O físico solar e diretor do Departamento “Sol e Heliosfera” do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, Sami K. Solanki, destaca a relevância desse conhecimento para a proteção da infraestrutura tecnológica. “Para proteger a infraestrutura da Terra a tempo, são necessárias previsões confiáveis de condições climáticas espaciais perigosas. Uma compreensão mais profunda das proeminências é uma peça crucial desse quebra-cabeça.”
Flavia Correia
Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Flavia Correia
