A Science Corp., startup fundada pelo ex-presidente da Neuralink, Max Hodak, avança para fazer os primeiros testes em humanos de sua interface cérebro-computador nos Estados Unidos.
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Para liderar o projeto, a empresa recrutou o dr. Murat Günel, chefe de neurocirurgia na Yale Medical School. Ele atuará como conselheiro científico na implantação de um sensor biohíbrido.
O objetivo é testar um dispositivo que utiliza neurônios cultivados em laboratório integrados à eletrônica para restaurar funções cerebrais perdidas.
Avaliada em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões) após uma recente captação de US$ 230 milhões (R$ 1,1 bilhão), a Science Corp. busca uma alternativa mais segura aos métodos tradicionais.
Enquanto outras empresas usam eletrodos de metal que podem causar danos ao tecido cerebral, a startup aposta numa abordagem orgânica para garantir que o implante dure mais tempo sem sequelas.
Os testes iniciais serão focados em pacientes que já precisam de cirurgias cranianas graves, como vítimas de AVC, para verificar se o sensor consegue ler a atividade do cérebro com segurança.
Sensor da Science Corp. usa luz e biologia para criar conexão segura com cérebro humano
O dispositivo que será testado é minúsculo. Do tamanho de uma ervilha, ele contém 520 eletrodos capazes de registrar sinais neurais.
Diferente do chip da Neuralink, que perfura o tecido cerebral, o sensor da Science Corp. é projetado para ficar dentro do crânio, mas na superfície do cérebro.
Por não ser invasivo ao tecido, a empresa afirma que o risco para o paciente é mínimo. Isso pode agilizar as etapas de testes laboratoriais.
Science Corp. desenvolveu chip cerebral menos invasivo do que o chip da Neuralink – Imagem: Science Corp.
Na tecnologia desenvolvida pela empresa, neurônios biológicos servem de ponte entre os circuitos eletrônicos e o cérebro do paciente. Essas células, desenhadas para se integrar naturalmente às conexões humanas, são estimuladas por pulsos de luz.
Em 2024, a Science Corp. já havia publicado resultados demonstrando que o sistema funcionou com sucesso em camundongos, ativando a atividade cerebral sem causar danos.
Essa interface biohíbrida pode mudar o tratamento do Mal de Parkinson ao tentar interromper a progressão da doença, em vez de apenas esconder os tremores.
O dr. Günel acredita que o sistema pode proteger e restaurar circuitos neurais danificados por meio do transplante de células integradas à eletrônica.
Além disso, o sensor poderia monitorar tumores cerebrais de forma contínua, enviando alertas sobre o risco de convulsões para médicos e cuidadores.
Embora o foco imediato seja médico, o plano de Hodak inclui o aprimoramento humano, como a criação de sentidos para o corpo.
O projeto mais avançado da companhia atualmente é o PRIMA, dispositivo voltado para devolver a visão a pessoas cegas devido à degeneração macular. Esse aparelho já passou por testes clínicos e a expectativa é que ele receba autorização para ser vendido na Europa ainda em 2026.
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Apesar do progresso, a equipe de 30 pesquisadores ainda precisa refinar a produção das células biológicas para que elas sigam padrões médicos rigorosos.
O dr. Günel alerta que, devido às exigências dos comitês de ética, seria “otimista” esperar que os testes clínicos em larga escala comecem antes de 2027.
Atualmente, a empresa foca no desenvolvimento de protótipos e na validação final da segurança do sensor em humanos.
(Essa matéria usou informações de TechCrunch.)
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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chip cerebral
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni
