China avança plano para usar 10 mil robôs humanoides em fronteira

A fabricante chinesa UBTECH Robotics projeta colocar até 10 mil robôs humanoides em operação até 2027, incluindo aplicações em postos de controle na fronteira entre China e Vietnã. A iniciativa envolve o uso das máquinas em tarefas de orientação, inspeção e logística, ampliando a presença da tecnologia em ambientes públicos.

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O plano ocorre em paralelo a uma captação bilionária realizada pela empresa em Hong Kong e reflete a estratégia de expansão em um mercado de robótica que exige escala e capacidade operacional. A adoção fora de ambientes industriais também funciona como um teste para avaliar a confiabilidade e desempenho contínuo desses sistemas.

Robô Walker S2 é voltado especificamente para trabalhar em linhas de indústria – Imagem: UBTECH/Reprodução

Contrato na fronteira e metas de produção

O projeto ligado à fronteira foi detalhado em uma reportagem publicada em novembro do ano passado pelo South China Morning Post. Segundo a publicação, o contrato está vinculado a um centro de robótica em Fangchenggang, próximo ao Vietnã, com valor de 264 milhões de yuans.

O modelo utilizado é o Walker S2, lançado em julho de 2025, com capacidade de trocar a própria bateria, permitindo operação contínua sem intervenção humana direta. A tecnologia também é considerada para outras aplicações, como inspeções em ambientes industriais.

Michael Tam, chefe de branding da UBTECH, disse ao South China Morning Post que a empresa prevê entregar 500 unidades até o fim de 2025 e acelerar a produção ao longo de 2026. A meta de alcançar 10 mil unidades até 2027 depende da capacidade de escalar a fabricação e garantir desempenho fora de ambientes controlados.

Captação de recursos para expansão

A expansão acontece após a conclusão de uma colocação de ações em Hong Kong, finalizada em 2 de dezembro de 2025. De acordo com comunicado da UBTECH à bolsa de Hong Kong, a empresa emitiu 31.468.000 novas ações H ao preço de HK$ 98,80 por unidade, levantando cerca de HK$ 3,06 bilhões líquidos.

Segundo o comunicado, aproximadamente 75% dos recursos serão direcionados a investimentos, aquisições ou criação de joint ventures ao longo da cadeia de suprimentos. Outros 15% serão usados para operações e desenvolvimento, incluindo capital de giro e projetos, enquanto 10% serão destinados ao pagamento de dívidas.

A empresa não indicou alvos específicos para aquisições até o momento, mantendo a estratégia aberta para diferentes oportunidades.

Uso em ambiente real testa viabilidade da tecnologia

A implementação de robôs humanoides em operações de fronteira representa uma mudança em relação ao uso mais comum da tecnologia, geralmente restrito a demonstrações ou ambientes industriais.

Esse tipo de aplicação coloca em evidência fatores como segurança, suporte técnico e confiabilidade, considerados essenciais para adoção em larga escala. O desempenho em situações reais pode influenciar tanto decisões de clientes quanto a percepção de investidores sobre o setor.

A capacidade de operar continuamente, integrar cadeias produtivas e sustentar produção em grande volume aparece como um dos principais desafios para a consolidação desse mercado.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Ana Luiza Figueiredo