Duas propriedades do Acre entram na “lista suja” do trabalho análogo à escravidão

Os registros apontam que os casos ocorreram em áreas próximas a Rio Branco e Bujari

Os registros apontam que os casos ocorreram em áreas próximas a Rio Branco e Bujari: Foto/Reprodução

Duas propriedades rurais localizadas no Acre passaram a integrar a atualização mais recente do cadastro nacional de empregadores envolvidos em situações de trabalho análogo à escravidão. A nova lista foi divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta segunda-feira (6).

Os registros apontam que os casos ocorreram em áreas próximas a Rio Branco e Bujari. Uma das propriedades está situada no km 56 da estrada Transacreana, enquanto a outra fica no km 10 do município do Bujari. Ambas foram incluídas após ações de fiscalização que constataram irregularidades nas condições oferecidas aos trabalhadores.

O documento, conhecido como “lista suja”, reúne nomes de empregadores responsabilizados por submeter pessoas a condições degradantes, jornadas exaustivas ou restrição de liberdade, caracterizando trabalho análogo à escravidão. O cadastro é atualizado a cada seis meses e funciona como instrumento de transparência nas ações de combate a esse tipo de crime. Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a legalidade da divulgação, em conformidade com a Lei de Acesso à Informação.

Na atualização mais recente, o governo federal adicionou 169 novos registros, elevando o total para cerca de 613 empregadores em todo o país, entre pessoas físicas e jurídicas que já tiveram processos administrativos concluídos.

Os números também evidenciam a continuidade do problema. Somente em 2025, 19 trabalhadores foram resgatados no Acre em condições semelhantes à escravidão, o que coloca o estado na liderança da região Norte, superando o Pará, que contabilizou 17 resgates no mesmo período.

Em escala nacional, o ano anterior registrou mais de 2,7 mil pessoas retiradas dessas condições. As ações de fiscalização se concentraram principalmente em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás.