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– Foto: Yoshioka/Netflix
Antes mesmo do lançamento, a minissérie Emergência Radioativa enfrentou críticas do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia pela decisão da Netflix de gravar a produção principalmente em São Paulo. Agora, no mês de lançamento da trama, o presidente do conselho revelou que não recebeu resposta da plataforma de streaming.
Lançada em 18 de março, a minissérie protagonizada por Johnny Massaro rememora o acidente radiológico com Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. Embora a trama se passe na capital goiana, a série foi filmada majoritariamente na Grande São Paulo, em cidades como Osasco e Santo André.
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Maria Gabriela, tia de Leide e esposa de Devair Alves Ferreira, dono do ferro velho onde a cápsula de Césio foi aberta
Arquivo/Polícia Federal3 de 12
Leide das Neves Ferreira, uma das mais marcantes vítimas do Césio-137
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Túmulo de Admilson Alves. Não há fotos disponíveis dele
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto5 de 12
Túmulo de Israel Batista
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Túmulo de Leide das Neves
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Túmulo de Maria Gabriela Ferreira
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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)9 de 12
Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)10 de 12
Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica11 de 12
Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica12 de 12
Velório das vítimas
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
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“Não tivemos retorno oficial [da Netflix]”, disse Edson Fernandes, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia ao Metrópoles, nesta quinta-feira (26/3). “Do ponto de vista moral e respeitoso, deveria ter tido um diálogo maior com os representantes da nossa cultura goianiense”, completa.
Edson ainda disse que o conselho vai lutar pela “valorização dos artistas locais em todas as instâncias”. “Temos que enaltecer o que é nosso de direito. A cidade tinha toda a estrutura para acolher esta produção”, reclamou.
O Metrópoles entrou em contato com a Netflix para esclarecer as informações, mas não obteve retorno até a publicação desta nota. O espaço segue aberto.
Carta aberta à Netflix
Em 9 de setembro, o Conselho de Cultura de Goiânia divulgou uma carta aberta à Netflix e à produção da minissérie com o tema “Por que Goiânia precisa estar no centro dessa história”.
“Esse episódio não é apenas um fato histórico: ele é parte da memória viva do povo goianiense. Foi aqui, em nossas ruas e casas, que famílias inteiras sofreram, choraram e resistiram. A tragédia deixou marcas que ainda hoje fazem parte do cotidiano e da identidade de nossa cidade. Contar essa história sem olhar para o lugar onde ela realmente aconteceu é retirar dela a verdade mais profunda: a memória do povo que a viveu”, diz um trecho.
Leia o comunicado completo:
Nós, do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia, vimos manifestar nossa profunda insatisfação com a decisão de gravar a minissérie “Emergência Radioativa”, que retrata o acidente com o Césio-137, principalmente em São Paulo.
Esse episódio não é apenas um fato histórico: ele é parte da memória viva do povo goianiense. Foi aqui, em nossas ruas e casas, que famílias inteiras sofreram, choraram e resistiram. A tragédia deixou marcas que ainda hoje fazem parte do cotidiano e da identidade de nossa cidade. Contar essa história sem olhar para o lugar onde ela realmente aconteceu é retirar dela a verdade mais profunda: a memória do povo que a viveu.
Goiânia tem todas as condições para receber uma produção desse porte: profissionais qualificados, infraestrutura, locações autênticas e, sobretudo, o vínculo emocional e histórico que nenhuma outra cidade pode oferecer. Trazer a filmagem para cá não seria apenas fazer justiça à nossa história, mas também gerar empregos, movimentar a economia local e fortalecer a cultura brasileira com mais verdade e representatividade.
O acidente com o Césio-137 foi considerado pela Agência Internacional de Energia Atômica o maior acidente radiológico do mundo fora de usinas nucleares. Ele não pertence a um cenário montado em estúdio: ele pertence a Goiânia, ao seu povo, às suas cicatrizes.
Por isso, pedimos à Netflix e à produção que revejam essa escolha e deem a Goiânia o espaço que lhe é de direito. Contem essa história aqui, onde ela nasceu e onde ainda pulsa.
Com respeito, mas também com firmeza, reforçamos: a história do Césio-137 é nossa, e precisa ser mostrada ao mundo com a verdade de quem a viveu.
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Fonte: Metropoles
