Ucrânia testa exoesqueletos para soldados na linha de frente

Após mais de quatro anos de guerra, o Exército da Ucrânia iniciou testes com exoesqueletos em campo de batalha para apoiar soldados na movimentação de armamentos e deslocamento em combate. Segundo o 7º Corpo de Assalto Aéreo do país, os dispositivos estão sendo avaliados em operações reais, com potencial para reduzir o esforço físico e aumentar o desempenho dos militares.

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Um vídeo divulgado no Facebook no fim da última semana mostra soldados utilizando o equipamento dentro de uma trincheira de artilharia. A expectativa é que a tecnologia seja empregada na linha de frente próxima a Pokrovsk, no leste da Ucrânia, em um dos primeiros registros conhecidos de uso desse tipo de tecnologia em operações militares ativas.

Como funciona o exoesqueleto

O dispositivo envolve a cintura e as pernas do soldado e é sustentado por um suporte nas costas. De acordo com os militares, o sistema consegue reduzir em até 30% a carga sobre os músculos das pernas, o que facilita tarefas repetitivas e pesadas, como carregar e posicionar projéteis de artilharia.

Cada munição pode pesar mais de 45 kg, e um único soldado pode manusear dezenas delas por dia. Esse volume de esforço acumulado aumenta o risco de fadiga e lesões. Com o exoesqueleto, a tendência é diminuir esse impacto físico e permitir maior produtividade.

Além disso, o equipamento pode ajudar os soldados a correr a até aproximadamente 19 km/h por longas distâncias, chegando a até 16 km contínuos. Para efeito de comparação, a velocidade média de corrida leve de um adulto varia entre cerca de 10 e 13 km/h.

Soldados ucranianos usam exoesqueletos para auxiliar no carregamento de munição pesada e auxílio na corrida (Imagem: Reprodução / 7th Air Assault Corps)

O coronel Vitalii Serdiuk, vice-comandante do 7º Corpo de Assalto Aéreo, afirmou ao Ukrainska Pravda que os testes indicam melhora no desempenho: os soldados ficam menos fatigados, trabalham mais rápido e mantêm a eficiência por mais tempo.

Origem do equipamento e uso civil

Segundo autoridades ucranianas no vídeo, o modelo utilizado é fabricado pela empresa Hypershell, voltada ao mercado consumidor. O exoesqueleto pesa cerca de 2,3 kg e funciona integrado a um aplicativo que considera características como altura, peso e sexo do usuário.

O sistema utiliza algoritmos de inteligência artificial para ajustar o funcionamento em tempo real, adaptando-se ao padrão de movimento de cada pessoa. O produto é vendido em três versões, com preço inicial de US$ 800, e foi desenvolvido para atividades civis, como exploração ao ar livre e suporte à mobilidade.

A empresa afirmou ao Popular Science que não tem envolvimento direto com o uso militar na Ucrânia e declarou que não apoia a aplicação da tecnologia em conflitos. Segundo a companhia, o objetivo do produto é auxiliar a movimentação humana, não operações de combate.

A Hypershell afirmou não ter envolvimento direto com o uso militar de seus exoesqueletos (Imagem: Reprodução / 7th Air Assault Corps)

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Interesse militar e expansão da tecnologia

Apesar da origem civil, fabricantes têm pouco controle sobre o uso final de seus produtos. Situação semelhante já ocorreu com drones comerciais, que foram amplamente utilizados em fases iniciais do conflito.

Além da Ucrânia, outros países também estudam aplicações militares para exoesqueletos. Os Estados Unidos testam o modelo SABER (Soldier Assistive Bionic Exosuit for Resupply), enquanto forças russas também avaliam dispositivos voltados ao carregamento de munições.

A tecnologia, que começou como solução para mobilidade e reabilitação, vem sendo adaptada para diferentes setores, incluindo construção, indústria automotiva e, agora, operações militares.

Sobre o autor
Ana Luiza Figueiredo
Redator(a)

Ana Luiza Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital desde 2021

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Fonte: Olhar Digital