O governo do Canadá decidiu cancelar sua primeira missão com um rover destinado à exploração do polo sul da Lua. O motivo foi o corte de gastos e o redirecionamento de recursos para outras iniciativas consideradas prioritárias. O projeto, anunciado em 2021 pela Agência Espacial Canadense (CSA), previa a busca por gelo de água e o estudo do ambiente lunar.
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A suspensão da missão foi incluída no planejamento orçamentário para 2026-2027. Segundo a CSA, a decisão faz parte de uma estratégia mais ampla para conter gastos operacionais e priorizar investimentos com impacto econômico direto no país.
O rover, de pequeno porte (com cerca de 35 quilos), estava sendo desenvolvido pela empresa Canadensys Aerospace em parceria com instituições acadêmicas e industriais. O veículo já se encontrava em estágio avançado de desenvolvimento e se aproximava de uma revisão crítica de projeto, etapa importante antes da construção final.
A missão estava prevista para ser lançada em 2029, em parceria com a NASA, por meio do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS). Além de explorar a geologia do polo sul da Lua, o rover levaria seis instrumentos científicos à superfície lunar, incluindo cargas úteis canadenses e um equipamento da agência americana.
Apesar do cancelamento, a equipe científica – composta por cerca de 50 pesquisadores – seguirá recebendo financiamento durante a vigência de seus contratos. Ainda assim, há incertezas sobre o futuro das atividades planejadas originalmente. Gordon Osinski, que liderava a missão, afirmou ao Space.com que “grande parte do trabalho ainda depende de definições que devem surgir nas próximas semanas”.
O cientista ainda destacou que, embora o projeto tenha sido interrompido, o conhecimento acumulado ao longo dos últimos anos poderá ser aproveitado em futuras iniciativas. Ele também indicou que a equipe está aberta a colaborar com outras missões robóticas, incluindo possíveis projetos da NASA.
Parte do trabalho desenvolvido para o rover deve ser aproveitado no desenvolvimento de um futuro veículo utilitário lunar voltado ao suporte de missões tripuladas, previsto para a próxima década. Empresas canadenses já realizam estudos preliminares para essa nova geração de equipamentos.
Rover seria lançado à Lua ainda nesta década (Imagem: Canadensys Aerospace/Divulgação)
Mudanças na exploração da Lua
O cancelamento ocorre em um momento de mudanças mais amplas na exploração lunar. A própria NASA vem revisando o programa Artemis, com ajustes que incluem a suspensão de projetos como a estação espacial lunar Gateway, em favor de uma estratégia focada em infraestrutura na superfície da Lua.
No caso canadense, o corte no rover representa uma economia relativamente pequena dentro do orçamento da agência – cerca de 6,7 milhões de dólares canadenses no próximo ciclo fiscal, algo em torno de R$ 25 milhões. Ainda assim, a medida deve gerar economia adicional nos anos seguintes.
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Enquanto isso, o país segue envolvido em outras iniciativas espaciais de destaque. Um dos marcos mais próximos é a missão Artemis 2, que deverá levar o astronauta canadense Jeremy Hansen a uma viagem ao redor da Lua, tornando-o o primeiro não americano a participar de uma missão lunar tripulada.
Sobre o autor
Vitoria Lopes Gomez
Redator(a)
Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, é redatora de Hard News.
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Canadá
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Fonte: Olhar Digital
