Conta de luz deve subir mais que a inflação e pesar no bolso dos acreanos em 2026

Apesar do cenário de elevação, medidas em discussão no Congresso Nacional podem amenizar parte do impacto

Os consumidores do Acre devem se preparar para um aumento nas despesas com energia elétrica ao longo de 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica projeta uma elevação média de aproximadamente 8% nas tarifas em todo o país, percentual superior à inflação estimada para o período, prevista em 3,9%.

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A Agência Nacional de Energia Elétrica projeta uma elevação média de aproximadamente 8% nas tarifas em todo o país: Foto/Reprodução

Embora o reajuste tenha alcance nacional, os impactos tendem a ser mais sentidos no Acre, onde os custos já são elevados devido à distância dos grandes centros e às particularidades do sistema elétrico da região Norte. Entre os fatores que explicam a alta está o crescimento das despesas da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo responsável por financiar subsídios e políticas públicas do setor, como descontos tarifários e programas sociais.

Para 2026, o orçamento da CDE está estimado em R$ 52,7 bilhões. Desse total, cerca de R$ 47,8 bilhões deverão ser bancados pelos próprios consumidores por meio da tarifa de energia, um aumento de 15,4% em relação ao ano anterior. A proposta ainda passa por análise e pode sofrer alterações antes de sua aprovação definitiva.

Apesar do cenário de elevação, medidas em discussão no Congresso Nacional podem amenizar parte do impacto, especialmente nos estados que integram a Amazônia Legal, como o Acre. A ideia é utilizar recursos oriundos de acordos com usinas hidrelétricas para reduzir as tarifas de consumidores residenciais atendidos por distribuidoras dessas regiões. Caso todos os geradores participem, a redução média pode chegar a 10,6% para os beneficiados.

Ainda assim, a própria agência reguladora indica que estados como Acre, Amapá e Rondônia devem ter descontos mais modestos. Isso ocorre porque as distribuidoras locais já passaram por reduções tarifárias recentes, decorrentes de ajustes anteriores no setor elétrico.

Outro ponto que pode influenciar o valor final da conta é a devolução de créditos tributários de PIS/Cofins às distribuidoras. Ainda restam cerca de R$ 9,8 bilhões a serem repassados aos consumidores entre 2026 e 2027, com os valores sendo incorporados gradualmente como abatimentos nas tarifas.

Diante desse cenário, especialistas apontam que o consumidor acreano poderá enfrentar um quadro de aumento generalizado ao longo do ano, ainda que com possíveis reduções pontuais. Mesmo com esses alívios, a tendência é de que a conta de luz tenha um peso maior no orçamento das famílias em 2026.