A série Emergência Radioativa, da Netflix, revisita o acidente com césio-137 em Goiânia, em 1987, e usa histórias reais como base para a construção de parte dos personagens da trama. Inspirada em fatos, a produção mistura figuras históricas com personagens ficcionais.
Na vida real, Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira encontraram uma cápsula de metal em uma clínica de radioterapia abandonada na Avenida Paranaíba. Dias depois, venderam o material a Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho.
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Veja fotos dos personagens reais e os da ficção:

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Emergência Radioativa O protagonista Márcio, vivido por Johnny Massaro, é fictício e representa diferentes cientistas que atuaram no combate à contaminação. Entre eles está o físico Walter Mendes
Netflix/Ana Paula Freire/CNEN

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Emergência Radioativa: Roberto Santos e Wagner Mota Pereira foram os catadores que encontaram máquina com Césio
Netflix/Reprodução/ Rumos Itaú Cultural/Demian Duarte

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Emergência Radioativa Devair é retratado como Enevildo, interpretado por Bukassa Kabengele
Neflix/Reprodução/TV Globo

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Emergência Radioativa entre os casos mais marcantes está o da menina Leide das Neves, de seis anos, na série, a personagem Celeste representa esse episódio
Netflix/Reprodução/TV Anhanguera

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Emergência Radioativa Antônia, interpretada por Ana Costa, foi inspirada em Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair
Netflix/Arquivo/Polícia Federal

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Emergência Radioativa Tuca Andrada dá vida ao governador do estado de Goiás que, na época do acidente, tinha Henrique Santillo no cargo
Netflix/Agência Senado

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Emergência Radioativa José de Júlio Rozental, da CNEN, inspira o personagem Benny Orenstein, vivido por Paulo Gorgulho
Netflix/Reproduçao/YouTube

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Emergência Radioativa Nelson Valverde e Alexandre Rodrigues são representados pelos médicos Eduardo (Antônio Sabóia) e Loureiro (Luiz Bertazzo)
Netflix/Reprodução/Gov Goiás

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Emergência Radioativa: Maria Paula Curado inspira a personagem Paula, interpretada por Clarissa Kiste
Netflix/Ana Paula Freire/CNEN
Na série, os catadores aparecem logo nos primeiros minutos. Devair é retratado como Enevildo, interpretado por Bukassa Kabengele. Encantado pelo brilho azul da substância, ele levou o material para casa, contribuindo para a disseminação da radiação.
O protagonista Márcio, vivido por Johnny Massaro, representa diferentes cientistas que atuaram no combate à contaminação. Entre eles está o físico Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros a identificar a radiação e fundamental para o controle do acidente.
Walter, que posteriormente integrou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), utilizou detectores para medir os níveis de radiação, o que permitiu a adoção de medidas emergenciais e o tratamento adequado das vítimas.
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Entre os casos mais marcantes está o da menina Leide das Neves, de 6 anos. Após ter contato com o césio — substância que emitia um brilho azulado —, ela ingeriu partículas radioativas ao se alimentar com as mãos contaminadas e morreu semanas depois. Na série, a personagem Celeste é inspirada na história da criança.
Outra figura retratada é Antônia, interpretada por Ana Costa, inspirada em Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair. Ela foi uma das primeiras a suspeitar do perigo e levou o material às autoridades, mas também acabou contaminada. Maria Gabriela morreu em outubro de 1987, no mesmo dia que Leide.
A produção também incorpora figuras públicas. O ator Tuca Andrada interpreta o então governador de Goiás, Henrique Santillo. Profissionais essenciais no controle da crise também aparecem. José de Júlio Rozental, da CNEN, inspira o personagem Benny Orenstein, vivido por Paulo Gorgulho.
Outros nomes importantes são lembrados, como Nelson Valverde, médico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e referência no atendimento de radiopatologia, e Alexandre Rodrigues, responsável pela coordenação da assistência emergencial aos contaminados. Na série, esses profissionais são representados pelos médicos Eduardo (Antônio Sabóia) e Loureiro (Luiz Bertazzo).
No auge da crise, a médica Maria Paula Curado teve papel decisivo ao propor o isolamento de pacientes no Estádio Olímpico de Goiânia. Na série, ela inspira a personagem Paula, especialista em contaminação ambiental interpretada por Clarissa Kiste.
A atuação da médica foi lembrada por Walter Mendes 37 anos após a tragédia. “Com o auxílio de todo o Estado, o entendimento do então governador de Goiás, Henrique Santillo, essa mulher, médica audaciosa, merece o nosso agradecimento”, declarou em solenidade na Câmara dos Deputados.
