A valorização do petróleo no mercado internacional já começa a preocupar empresários e consumidores no Acre. Com o barril abrindo as negociações em alta de US$ 10, a tendência é de reajuste nos combustíveis e no gás de cozinha, cenário que pode pressionar os preços de diversos produtos comercializados no estado.

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Para o assessor da presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre, Egídio Garó, o impacto na economia local é difícil de evitar. “Sim, devemos sentir aumento na gasolina, no diesel e no gás”, afirmou.
Ele explica que a consequência não se limita às bombas dos postos. “É um efeito cascata. Aumenta o combustível, aumenta o frete. E os produtos chegarão mais caros no Acre”, ressaltou. Segundo Garó, o reflexo não deve ser imediato. “Não perceberemos de forma imediata. Somente quando as primeiras remessas externas chegarem, forem beneficiadas e distribuídas é que o impacto ficará mais evidente”, destacou.
O assessor lembra que o Acre depende, em grande parte, do transporte rodoviário para o abastecimento, o que torna o estado especialmente vulnerável às variações no preço do diesel. “Quando o custo do transporte sobe, isso é repassado ao longo da cadeia até chegar ao consumidor final”, pontuou.
Com isso, mercadorias trazidas de outras regiões, como alimentos, itens industrializados e materiais de construção, podem apresentar reajustes nos próximos dias. “Leva alguns dias ainda, mas o impacto deve acontecer”, concluiu.
Conflito internacional pressiona mercado
A tensão no Oriente Médio também entra na equação. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Rio Branco, Marcello Moura, afirmou que o litro da gasolina pode subir cerca de R$ 0,30 ainda nesta semana no Acre.
Ele citou como fator decisivo o cenário envolvendo o Estreito de Ormuz, área estratégica por onde circula aproximadamente 20% do petróleo mundial. “Pode disparar. O Estreito de Ormuz fica entre o Irã e os Emirados Árabes. Se você olhar no mapa, vai ver que ali tem um afunilamento do oceano. Por ali passa 20% da produção de petróleo do mundo. E o Irã, propositalmente, fechou”, explicou.
Segundo Moura, o comportamento do mercado internacional é influenciado não apenas por fatos concretos, mas também pelas expectativas diante de possíveis desdobramentos geopolíticos.
