El Niño pode voltar em 2026 e elevar calor global

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A possível volta do El Niño ainda em 2026 pode elevar novamente as temperaturas globais e contribuir para novos recordes de calor. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), há entre 50% e 60% de chance de o fenômeno se desenvolver entre julho e setembro e nos meses seguintes.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que divulgará uma atualização sobre o tema na terça-feira. Caso o evento se confirme, especialistas apontam que o impacto pode influenciar o clima global já em 2026, com efeitos potencialmente mais intensos em 2027.

O que é o El Niño?

O El Niño é uma das fases do padrão climático natural conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENSO), que ocorre no Pacífico tropical. A expressão foi criada por pescadores do Peru e do Equador no século XIX para descrever uma corrente marítima mais quente que surgia próximo ao Natal e reduzia a pesca.

O fenômeno se caracteriza pelo enfraquecimento dos ventos alísios que sopram de leste para oeste no Pacífico tropical. Com isso, as águas mais frias do centro e do leste do oceano se aquecem, alterando padrões de chuva e circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta.

De acordo com Nat Johnson, meteorologista da NOAA, um episódio típico pode elevar temporariamente a temperatura média global entre 0,1°C e 0,2°C. O El Niño ocorre em intervalos de dois a sete anos.

Impactos e risco de novos recordes

O último evento foi registrado entre 2023 e 2024, período que contribuiu para tornar 2023 o segundo ano mais quente já registrado e 2024 o mais quente da série histórica.

Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, afirmou em janeiro que 2026 pode ser outro ano recorde caso o El Niño se forme ainda este ano. Já Tido Semmler, cientista climático do Serviço Meteorológico Nacional da Irlanda, explicou que o impacto tende a ser maior em 2027 se o fenômeno começar na segunda metade do ano, pois a atmosfera global leva tempo para reagir.

Semmler também alertou que existe o risco de 2026 ser o ano mais quente já registrado mesmo sem a presença do El Niño, devido à tendência de aquecimento global.

La Niña e fase neutra

A fase oposta do ciclo é a La Niña, caracterizada pelo resfriamento do Pacífico oriental. O episódio mais recente começou em dezembro de 2024, foi considerado fraco e de curta duração, e deve entrar em fase neutra entre fevereiro e abril.

Enquanto o El Niño costuma provocar condições mais secas no sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e norte do Brasil, além de chuvas mais intensas no Chifre da África, sul dos Estados Unidos, Peru e Equador, a La Niña gera efeitos inversos.

Mesmo com a presença da La Niña, 2025 terminou como o terceiro ano mais quente já registrado.

El Niño e La Niña
Fase oposta ao El Niño é a La Niña, cujo evento mais recente aconteceu entre 2024 e 2025 (Imagem: FrankHH/Shutterstock)

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Novo método de cálculo

Em fevereiro, a NOAA adotou uma nova metodologia para monitorar o fenômeno. O antigo Oceanic Niño Index (ONI) comparava a média trimestral da temperatura da superfície do mar em uma região específica do Pacífico com a média de 30 anos.

Como os oceanos vêm aquecendo rapidamente, essa referência histórica pode ficar desatualizada. O novo indicador, chamado Relative Oceanic Niño Index (RONI), compara a temperatura do Pacífico centro-leste com o restante das áreas tropicais.

Segundo a NOAA, o RONI oferece uma forma mais clara e confiável de acompanhar o El Niño e a La Niña em tempo real.