Nesta sexta-feira (27), durante a coletiva, o delegado Felipe Sala a concluiu o inquérito e detalhou a linha do tempo do crime que chocou Itumbiara, no sul de Goiás. De acordo com a Polícia Civil de Goiás, ficou comprovado que o secretário municipal Thales Naves Alves Machado foi o único responsável pela morte dos dois filhos, de 12 e 8 anos.
O caso aconteceu no dia 11 de fevereiro, em um apartamento localizado no Condomínio Paraíso. As investigações descartaram a participação de terceiros e reuniram provas técnicas, depoimentos e imagens de segurança para esclarecer a dinâmica dos fatos. A polícia classificou o caso como duplo homicídio seguido de suicídio, apontando que o autor agiu de forma isolada.
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Gasolina encontrada próximo à cama
De acordo com a Polícia Civil, Thales Machado adquiriu recipientes com gasolina em um posto de combustíveis pouco depois de sair de um jantar na residência dos pais. A substância inflamável teria sido espalhada no interior do imóvel onde o crime ocorreu, indicando uma possível tentativa de provocar um incêndio.
Durante a perícia, os investigadores localizaram um isqueiro próximo à cama do suspeito, o que reforça a suspeita de que havia a intenção de atear fogo na casa. Apesar disso, o incêndio não chegou a ser iniciado.
Em declaração à imprensa, o delegado responsável pelo caso afirmou que não é possível explicar por que o fogo não foi provocado. Segundo ele, o objeto estava ao lado do investigado, mas não foi acionado, impedindo que as chamas se alastrassem.
Linha de investigação da polícia
De acordo com delegado Felipe Sala, a investigação reuniu depoimentos de 24 pessoas, incluindo o funcionário do posto que comercializou a gasolina ao Thales e até um investigador particular que teria sido contratado.
A Polícia Civil também realizou diversas diligências para esclarecer o caso. Entre as provas coletadas estão gravações de câmeras de segurança e o comprovante de uma transferência via Pix que confirma a compra do combustível por Thales Machado.
Com o conjunto de depoimentos, registros bancários e imagens analisadas, os investigadores conseguiram reconstruir a linha do tempo dos acontecimentos, detalhando passo a passo a sequência dos fatos que antecederam o crime.
As investigações apontam que, dias antes do crime, Thales Naves Alves Machado teria procurado uma pessoa próxima ao casal para obter informações sobre a rotina de Sarah e tentar confirmar se ela estaria se relacionando com outra pessoa. A partir dessa conversa, ele teria identificado quem seria o suposto acompanhante dela em São Paulo. Embora ainda não tivesse provas concretas naquele momento, um detetive particular já havia sido contratado e conseguiu registrar imagens da mulher um dia antes dos fatos.
Noite do crime
Na noite do crime, às 18h03, Thales entrou em contato com os pais para combinar um jantar. Em depoimento, eles relataram que, posteriormente, perceberam no comportamento do filho uma postura incomum, marcada por gestos de despedida e demonstrações de afeto mais intensas.
Ele chegou à residência da família por volta das 19h10 e permaneceu até aproximadamente 20h10. Poucos minutos depois, às 20h13, esteve em um posto de combustíveis, onde adquiriu quatro galões de gasolina.
O frentista ouvido pela polícia afirmou que o secretário aparentava nervosismo e desorientação. As crianças estavam no veículo e não demonstravam comportamento fora do normal. Durante o pagamento, Thales teria errado a senha do cartão diversas vezes, o que evidenciava tensão. A compra foi concluída via Pix às 20h21, e câmeras de segurança do condomínio registraram a chegada dele à residência às 20h25.
Ainda segundo o delegado, por volta das 19h, o detetive informou a Thales que havia conseguido imagens de Sarah acompanhada em São Paulo, embora o material só tenha sido enviado efetivamente às 22h50.
A partir dessa informação, a tensão entre o casal teria aumentado. O investigado passou a telefonar repetidamente para a mulher, culminando em uma chamada de vídeo às 20h39. Conforme relatado, a conversa foi marcada por discussões e ameaças mútuas.
A última tentativa de contato ocorreu às 23h36. Desde a chamada anterior, Sarah não voltou a atender. Às 23h39, ela fez uma publicação nas redes sociais. De acordo com a cronologia estabelecida pela polícia, o crime ocorreu entre 23h39 e meia-noite.
O avô das crianças chegou ao condomínio por volta das 00h e, acompanhado de duas testemunhas, encontrou o imóvel fechado e sem sinais de arrombamento. Ao acessar a casa com a senha, deparou-se com a cena do crime.
Perícia detalha dinâmica do crime
O laudo da perícia técnica, composto por cerca de 60 páginas e mais de 70 imagens, descreve minuciosamente a cena encontrada na residência. De acordo com os peritos, cada criança foi atingida por um disparo de arma de fogo na região da têmpora direita, o que indica que ambas estavam dormindo no momento dos tiros.
As investigações revelaram ainda que, antes do crime, Thales Naves Alves Machado enviou mensagens a Sarah com fotografias dos filhos já deitados, acompanhadas de ameaças. Segundo a polícia, as imagens mostram as crianças na mesma posição em que foram encontradas, deitadas com o lado esquerdo do rosto apoiado no travesseiro, reforçando a hipótese de premeditação.
Após matar os filhos, Thales tirou a própria vida com um disparo na cabeça. O óbito foi constatado ainda no local. A perícia considera que a análise técnica das evidências foi fundamental para reconstruir a dinâmica e a sequência dos acontecimentos.
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