
O clima, que já não era dos mais tranquilos, ficou ainda mais tenso nos corredores da Câmara Municipal de Rio Branco. Faltando meses para a eleição da nova mesa diretora, a disputa começou antes do previsto e com recados nada sutis.
O mandato de Joabe Lira termina este ano e, oficialmente, ele não deve disputar a reeleição para o comando da Casa. Nos bastidores, porém, o que se desenhava era um movimento ensaiado: uma troca de cadeiras com Felipe Tchê, atual 1º secretário. Joabe deixaria a presidência e assumiria a secretaria, enquanto Tchê subiria ao comando. A dobradinha seguiria por mais um biênio.
O modelo não é novidade na política acreana. Na Assembleia Legislativa do Acre, a estratégia foi usada quando Nicolau Júnior trocou de função com Luiz Gonzaga para contornar a impossibilidade de reeleição consecutiva na presidência. No biênio seguinte, Nicolau voltou ao comando e Gonzaga permaneceu na 1ª secretaria, consolidando a parceria por três mandatos seguidos.
Mas a matemática da Câmara pode não ser tão simples.
A insatisfação com a gestão de Joabe cresceu nos últimos meses, sobretudo após a redução do orçamento da Casa no ano passado. O corte obrigou vereadores a abrir mão de viagens, emendas e parte da verba de gabinete. Parte dos parlamentares avalia que faltou habilidade política na condução da crise financeira.
Uma fala atribuída ao presidente, em reunião nesta semana, acirrou ainda mais os ânimos. Segundo relatos feitos à coluna, Joabe teria dito que os vereadores não colaboraram com as medidas de contenção adotadas em 2025. A declaração caiu mal. Parlamentares se sentiram responsabilizados por uma situação que, na visão deles, deveria ter sido melhor administrada pela presidência.
É nesse ambiente que surge um novo elemento.
O vereador mais votado da última eleição, Bruno Moraes, do Progressistas, confirmou à coluna que é candidato à presidência da Câmara. A entrada dele na disputa muda o desenho até então considerado praticamente fechado.
O timing também pesa. Com a saída de Tião Bocalom da prefeitura no próximo mês para disputar o governo, quem assume o comando do Executivo é o vice-prefeito Alysson Bestene. Bruno é do mesmo partido de Alysson e os dois são aliados próximos.
Na prática, isso significa que, se a candidatura se consolidar com o aval do futuro prefeito, o Palácio Rio Branco pode entrar na equação da Câmara. E, em eleição de mesa diretora, apoio do Executivo costuma pesar.
O que estava desenhado como uma transição controlada pode virar disputa aberta. E, quando a eleição começa cedo, raramente termina como foi planejada.
