André Rodrigues (foto em destaque), carnavalesco da Portela, deixou a escola de samba após a agremiação enfrentar problemas durante o desfile desse domingo (15/2). Ele alegou ter tomado a decisão por conta própria e destacou a falha no carro alegórico, que causou problemas para o desfile da velha guarda.
“Assim como ontem, sozinho, eu me responsabilizei por tanta coisa. Não sou um artista perfeito, mas tenho um compromisso inabalável com a melhor entrega de tudo o que faço. Isso, por diversas vezes, coloca sobre as minhas costas responsabilidades além da minha função. Eu não deveria ser a única pessoa na armação que sabia destravar um carro alegórico para garantir que a Velha Guarda desfilasse, mas eu era e fiz”, desabafou.
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André ainda desabafou sobre os ataques que recebeu no decorrer dos anos e disse que sua filha de 4 meses também se tornou alvo nas redes sociais.
“Honestamente, o ódio de internet não me assusta, mas ajuda a repensar prioridades. Quatro meses, tempo em que eu queria ter estado muito mais presente e não estive para garantir que esse carnaval chegasse na avenida de maneira digna”, completou.
Por fim, André disse: “Agradeço a todos da escola que entenderam a minha dedicação e o meu esforço, principalmente ao meu amigo, Junior Escafura, que fez do impossível um caminho seguro para se tentar. Deixo o meu carinho especial para a Velha Guarda, com quem eu aprendi tanto e por quem eu lutaria até o fim.”
A Portela, terceira escola de samba a desfilar na Sapucaí, já na madrugada desta segunda, enfrentou problemas no carro alegórico da Velha Guarda da escola e precisou correr para terminar o desfile no tempo certo.
O último carro demorou para entrar na avenida, deixando um longo espaço vazio na Sapucaí. A escola precisou parar a apresentação para esperar a alegoria final e a situação levou a equipe de apoio às lágrimas.
A Portela trouxe o samba enredo “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
A agremiação decifra o Rio Grande do Sul a partir de Custódio Joaquim de Almeida, um príncipe da região do Benin que encontrou morada por lá. Sua chegada revolucionou a negritude local, impactou a consolidação do Batuque, religião afro-gaúcha, e serviu como inspiração para gerações do movimento negro.
