A discussão sobre a redução de salários no alto escalão da Prefeitura de Rio Branco ganhou um novo contorno na Câmara Municipal. Após o prefeito Tião Bocalom alegar que o orçamento está “sufocado” e promover o corte das emendas parlamentares, vereadores passaram a defender ajustes em despesas como salários de secretários. No entanto, a própria Câmara agora admite que qualquer mudança nesse sentido não pode ser aplicada de forma imediata.
O vereador Aiache explicou que, apesar da proposta ter sido debatida e aprovada conceitualmente, a legislação impede sua execução agora. “Com consultoria jurídica, percebemos que só pode ser executado na próxima legislatura. Então, lá em 2029”, afirmou. Segundo ele, a ideia era tornar os salários “compatíveis”, permitindo economia para investimentos em obras, plano de carreira dos servidores e redução do impacto fiscal. “Para imediato, não conseguimos resolver”, reconheceu.
A fala representa uma inflexão no debate iniciado após a redução das emendas parlamentares, quando parte dos vereadores reagiu cobrando que o aperto fiscal também atingisse o primeiro escalão do Executivo. Questionado sobre a possibilidade de a pauta voltar à Câmara ainda neste mandato, Aiache foi direto: “Não tem essa previsão”.
Informação foi confirmada pelo vereador Aiache | Foto: ContilNet
Já o vereador André Kamai reforçou o discurso de que o argumento do orçamento apertado partiu do próprio prefeito. “Foi ele que disse, não fui eu”, declarou. Kamai concordou que a situação financeira exige revisão de gastos, mas fez críticas à condução da gestão. “Apesar de eu concordar com ele, é por conta de gastos desnecessários que ele fez, inclusive no ano passado, com drones, pisca-pisca, com um monte de coisa”, disse.
Para Kamai, se o discurso de crise fiscal for verdadeiro, o debate precisa ser ampliado. “É necessário que nós possamos rever algumas despesas que podem ser reajustadas, como salários muito grandes, como despesas desnecessárias”, afirmou, defendendo que a discussão ocorra “sem personalismo” e com foco em garantir políticas públicas e a manutenção da cidade.
