Nascido em Rio Branco, Manex Silva leva o Acre aos Jogos Olímpicos de Inverno

Especialista no esqui cross-country, ele disputa sua segunda Olimpíada, após a estreia em Pequim, em 2022

O Acre volta a marcar presença no cenário olímpico internacional com Manex Silva, atleta nascido em Rio Branco, que integra a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. Especialista no esqui cross-country, ele disputa sua segunda Olimpíada, após a estreia em Pequim, em 2022.

Especialista no esqui cross-country, ele disputa sua segunda Olimpíada, após a estreia em Pequim, em 2022: foto/Reprodução

Apesar da origem amazônica, Manex viveu pouco tempo no estado. Ainda criança, mudou-se com a família para o País Basco, região situada entre o norte da Espanha e o sudoeste da França, terra natal de seu pai. Em entrevista ao UOL, nesta segunda-feira (9), o atleta contou como a história de seus pais acabou influenciando diretamente sua trajetória esportiva.

“Minha mãe é de Rio Branco e meu pai é do País Basco. O motivo pelo qual eles se conheceram foi que minha mãe tinha um amigo do País Basco, que trabalhava com ela em Rio Branco. Certa vez, ela decidiu viajar para o País Basco para visitar esse amigo durante as férias, e foi lá que conheceu meu pai. Depois, meu pai acabou indo para Rio Branco para trabalhar junto com a minha mãe”, relatou.

Em Pequim-2022, ele entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a disputar quatro provas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno: Foto/Reprodução

A aproximação com o esporte veio anos depois, quando a família se mudou novamente por causa do trabalho do pai, professor universitário. O novo destino tinha um cenário bem diferente do Acre.

“Quando eu tinha oito anos, por causa do trabalho do meu pai, que é professor, nos mudamos para uma região mais ao norte, que é cercada por montanhas e, no inverno, neva. Foi aí que, como atividade extraescolar, comecei a praticar esqui cross-country no clube da região, junto com meus amigos, e foi assim que comecei a competir”, explicou.

Antes mesmo da estreia olímpica, Manex já havia se destacado ao representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude de Lausanne, em 2020, onde foi o sul-americano mais bem colocado em todas as provas que disputou, além de superar todas as marcas nacionais de pontuação FIS até então.

Em Pequim-2022, ele entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro a disputar quatro provas em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. O desempenho consolidou sua posição como um dos principais nomes do país na modalidade.

Já em janeiro de 2026, Manex atingiu outro feito expressivo ao registrar a melhor pontuação FIS da história do Brasil entre os homens, com 81,36, durante a Copa do Mundo de Oberhof, na Alemanha.

Mais preparado para Milão-Cortina

No fim de 2025, em entrevista ao Olympics.com, o atleta revelou que passou a investir também no aspecto emocional da carreira.

“É bem importante. Nesses dois anos que não atingi minhas metas, sofri bastante, pensava em coisas negativas”, afirmou.

Com avanços físicos, técnicos e mentais, Manex chega a Milão-Cortina 2026 com metas claras. O principal objetivo é alcançar o top 30 na classificatória do sprint, o que garantiria vaga nas fases finais da competição.

“Não importa para mim o top 40, 50 ou 60. Claro, quanto mais perto, melhor, mas quero ficar pouco tempo atrás de quem avança”, destacou.

Aos 23 anos, o acreano conseguiu unir o apoio do esporte brasileiro com a estrutura dos centros de treinamento europeus, chegando ao maior evento do ciclo olímpico em sua melhor fase.

“Antes tudo era um mundo novo para mim. Eu treinava sem ter muita certeza do porquê. Agora estou bem mais estruturado. Passei a treinar mais musculação, toda questão de nutrição, a preparação mental… sou um esportista mais completo.”