A Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, foi escolhida como área prioritária de uma nova política do Governo Federal que aposta na integração entre conservação ambiental e valorização cultural da Amazônia.
A iniciativa faz parte do acordo de cooperação técnica Esperançar Chico Mendes, firmado entre os ministérios do Meio Ambiente e da Cultura, em parceria com o ICMBio e o Iphan. A proposta é unir a gestão dos recursos naturais ao reconhecimento dos conhecimentos tradicionais das populações extrativistas, entendendo esses saberes como fundamentais para a proteção da biodiversidade.

Reserva Chico Mendes/Foto: Lalo de Almeida, Folhapress
Com duração prevista de quatro anos, o projeto prevê a troca de metodologias e a atuação conjunta de equipes técnicas diretamente nas comunidades da reserva. No Acre, uma das frentes centrais da iniciativa será o fortalecimento do turismo de base comunitária, atividade que vem ganhando espaço como alternativa sustentável de geração de renda. Além de impulsionar a economia local, esse modelo contribui para a defesa do território frente a pressões externas e mantém a floresta preservada.
O planejamento inclui ações educativas voltadas à educação ambiental e patrimonial, com foco na organização e no fortalecimento das associações comunitárias. Um dos pilares da cooperação é estimular o protagonismo de grupos historicamente menos inseridos nos processos decisórios, como mulheres e jovens.
Ao incentivar esses segmentos a liderarem iniciativas econômicas e culturais, o acordo busca assegurar a continuidade dos modos de vida tradicionais e a sustentabilidade das reservas extrativistas ao longo do tempo.
Para a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, Edel Moraes, a parceria representa um avanço significativo na promoção da justiça socioambiental. Segundo ela, proteger a natureza exige, necessariamente, garantir os direitos das populações que vivem e cuidam desses territórios.
A expectativa do governo é que a experiência desenvolvida na Resex Chico Mendes sirva de referência para futuras ações, permitindo que o modelo de integração entre cultura e meio ambiente seja replicado em outras unidades de conservação e territórios tradicionais do país.
