Os icônicos orelhões, que durante décadas foram fundamentais para a comunicação no Brasil, estão prestes a desaparecer das ruas. No Acre, ainda é possível encontrar 140 desses aparelhos espalhados por diversos municípios, de acordo com levantamento recente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Porém, o processo de remoção definitiva já começou em todo o país, sinalizando o fim de uma era da telefonia fixa.

No cenário nacional, o número de orelhões caiu drasticamente: Foto/Reprodução
A decisão de desativar os orelhões veio após o término dos contratos de concessão das cinco principais operadoras — Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica. Sem a obrigação de manter esses equipamentos, as empresas iniciaram, em janeiro, a retirada de unidades e carcaças que não estavam mais em funcionamento.
No cenário nacional, o número de orelhões caiu drasticamente: de 202 mil em 2020, hoje restam aproximadamente 38 mil, sendo que pouco mais de 33 mil ainda estão operacionais, enquanto o restante aguarda reparos ou está prestes a ser desativado.
No Acre, a distribuição desses aparelhos revela um contraste curioso. A capital, Rio Branco, mantém apenas três unidades, enquanto os municípios do interior concentram a maior parte dos telefones públicos: Feijó lidera com 27, seguida por Sena Madureira com 24 e Tarauacá com 22 unidades. Outras cidades, como Xapuri, Brasiléia e Capixaba, possuem apenas um orelhão cada, evidenciando o declínio do uso dessa tecnologia diante da expansão do celular.
Apesar do início da remoção, a substituição será gradual. Os orelhões devem permanecer apenas em áreas sem cobertura de telefonia móvel, e mesmo nesses locais, a expectativa é que desapareçam totalmente até 2028.
Como contrapartida, a Anatel determinou que os recursos antes destinados à manutenção dos orelhões sejam redirecionados para investimentos em banda larga e redes móveis, priorizando tecnologias que atendem à grande maioria da população nos dias atuais.
