Arquivo criado pela ESA simula o “estalo” da proteção do planeta em colapso; ouça e entenda a conexão com a anomalia no Brasil

Ilustração mostra o campo magnético (em azul) protegendo a Terra da radiação solar; áudio divulgado pela ESA revela o som violento dessa força em ação. Imagem: ESA/ATG medialab / Divulgação

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Se o campo magnético da Terra tivesse uma trilha sonora, ela lembraria um filme de terror. O interesse por esse “escudo invisível” disparou nas buscas nesta semana, trazendo à tona novamente um projeto impressionante da Agência Espacial Europeia (ESA) que revela o “som” do nosso planeta sob estresse.

Embora não seja um lançamento desta semana, a “sonificação” – técnica que transforma dados em áudio – voltou a viralizar por ser a representação mais fiel (e assustadora) que temos de uma falha na proteção da Terra.

Ouça abaixo (recomendamos o uso de fones):

O que você está ouvindo?

O áudio gutural, que soa como madeira estalando e rochas colidindo, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) usando dados da missão Swarm, que opera satélites de monitoramento magnético.

A gravação não é o som da Terra hoje, mas sim uma simulação do Evento de Laschamps, ocorrido há cerca de 41 mil anos. Naquela época, os polos da Terra se inverteram e o campo magnético colapsou para apenas 5% de sua força. Os estalos representam a turbulência dessa quebra na blindagem, que deixou a atmosfera exposta a altos níveis de radiação cósmica.

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Por que o assunto voltou à tona?

O “revival” deste áudio acontece em um momento em que os olhos da ciência estão voltados para a América do Sul.

Atualmente, o Brasil está sob a influência da Anomalia do Atlântico Sul (AAS), uma vasta região onde o campo magnético é naturalmente mais fraco e continua perdendo intensidade (o que a NASA chama de “dente” no campo).

A Anomalia do Atlântico Sul em uma animação feita pela NASA. Crédito: NASA Goddard/YouTube

Diferente do evento catastrófico de 41 mil anos simulado no áudio, a anomalia atual não representa risco à vida humana no solo. No entanto, ela já causa dores de cabeça tecnológicas: satélites e telescópios, como o Hubble, frequentemente precisam desligar instrumentos ao passar sobre o Brasil para evitar danos causados pela radiação extra que “vaza” por essa brecha.

Layse Ventura

Editor(a) SEO

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Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.