A Secretaria de Estado de Saúde apresentou o primeiro lote de vacinas contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) destinado à imunização de gestantes no Acre. O Ministério da Saúde enviou 3.800 doses, que serão utilizadas para proteger recém-nascidos por meio da transferência de anticorpos durante a gravidez.
Durante a apresentação, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Renata Quiles, explicou que “a vacina contra o vírus sincicial respiratório, que acabou de chegar no nosso estado, é uma vacina para a gestante. O objetivo dessa vacinação da gestante é proteger o bebê”. Segundo ela, ao receber o imunizante, a mãe “produz anticorpos, faz a proteção e, através da placenta durante a gravidez, transfere para o bebê essa proteção pronta”.

A coordenadora afirmou que a vacinação passa a integrar a rotina das unidades de saúde: Foto/Reprodução
Renata ressaltou ainda a importância epidemiológica do VSR no Acre: “Lembrando que esse vírus é o segundo maior causador de internações graves e óbito nos recém-nascidos. Nosso estado é um estado que tem alta incidência, principalmente no período sazonal, para a circulação desse vírus”.
A coordenadora afirmou que a vacinação passa a integrar a rotina das unidades de saúde: “Nós vamos trabalhar com essa vacinação como uma rotina. Todos os meses, o ano todinho, não vai faltar o imunobiológico”.
Neste início, a prioridade será para grávidas próximas ao parto. “Vamos priorizar as mulheres que estão com risco de perder essa oportunidade, que já estão mais próximas do parto. Então, a gente vacina primeiro essas mulheres, 28 semanas, 32 semanas, até 40 semanas”. Ela reforçou que gestantes no início da gestação devem aguardar: “Espere até a 28ª semana. Você que está ansiosa por esse momento, ainda está lá no segundo e terceiro mês de gestação, vai chegar o seu momento. Não precisa se desesperar”.
Para Renata, a chegada do imunizante ao SUS representa um avanço importante. “É um marco extremamente importante estar recebendo essa vacina pela primeira vez no SUS”. Ela lembrou que o produto já estava disponível na rede privada, mas com custo elevado. “No serviço privado também existe essa vacina para o idoso, com outra composição, com outra vacina”.
As doses começaram a ser distribuídas aos municípios no mesmo dia. “Recebemos esse lote ontem e já iniciamos a distribuição”, disse a coordenadora, acrescentando que até segunda-feira todas as unidades devem estar aptas a aplicar o imunizante. “É uma vacina que a gente quer deixar bem descentralizada, todas as unidades do nosso estado”.
Renata explicou que o frasco multidose facilita a aplicação. “A forma como o imunizante vem nos permite porque é igualzinho. Então não precisa estar agendando vários pacientes para abrir o frasco, isso facilita muito o nosso trabalho”. Segundo ela, as maternidades também estão preparadas: “Todas as maternidades do nosso estado possuem o serviço de vacinação. Enquanto não for o momento do parto, essa mulher pode ser vacinada”.
Ela reforçou que o período ideal para vacinar é entre 28 e 36 semanas: “O melhor período para vacinação é de 28 a 36 semanas, pensando no processo em que a mulher precisa produzir anticorpos para transferir para o bebê”. Contudo, gestantes mais avançadas também devem ser imunizadas. “Não quer dizer que as mulheres em 37, 38, 40 semanas não vão ser vacinadas. Enquanto o parto ainda não chegou, você pode sim ser vacinada”.
A coordenadora reforçou que não se trata de uma campanha temporária. “Isso não é uma campanha de vacinação, é uma vacina que vem para permanecer na rotina”. Ela pediu que gestantes respeitem o período ideal e permaneçam tranquilas: “Aquelas que ainda não chegaram na 28ª semana, esperem o seu momento. O seu momento vai ter vacina disponível”.
Renata também ressaltou a segurança do imunizante: “É uma vacina extremamente segura e eficaz. A proteção dela é de 89%”.
Ela aproveitou para lembrar das demais vacinas do pré-natal: “Não deixem de vacinar contra as outras doenças, com as vacinas da gestação que já estão disponíveis no SUS: contra coqueluche, hepatite B, covid-19 e influenza. São vacinas que estão com péssimas coberturas vacinais”.
Por fim, a coordenadora anunciou uma nova estratégia que será incorporada a partir de fevereiro: “A partir de fevereiro, uma nova estratégia associando com essa vacinação, que é uma imunoglobulina nirsevimabe, contra o vírus sincicial respiratório também, para a proteção dos bebês prematuros”. Ela explicou que a medida garante proteção mesmo quando a mãe não pôde ser vacinada: “Então a mãe que não conseguiu se vacinar durante a gestação e, por ventura, a criança veio a nascer antes da idade gestacional adequada, o bebê vai ser imunizado diretamente com um imunobiológico que dura a proteção por seis meses”.
Renata finalizou destacando que não existem restrições de idade. “É uma vacina segura, que pode ser feita em qualquer idade gestacional. Se tivermos uma adolescente gestante ou uma pessoa com idade mais avançada gestante, pode tomar, porque é uma vacina muito boa, muito eficaz e muito segura”.
A apresentação ocorreu na sede do PNI, em Rio Branco, e marcou o início da distribuição estadual do imunizante.
