Familiares de mulher arrastada por 1 km revelam nova decisão dos médicos

Tainara Souza Santos (30), que teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um carro na Marginal Tietê, em São Paulo, passou por novos procedimentos médicos nessa terça-feira (02). A família informou que a cirurgia para colocação de pinos no quadril e a colostomia foram bem-sucedidas e que a equipe médica avalia reduzir a sedação. A vítima permanece estável e inconsciente na Unidade de Terapia Intensiva.

Estado de saúde permanece estável

Segundo familiares, os médicos pretendem reduzir a sedação ao longo desta quarta-feira (03) para avaliar a resposta dela aos estímulos. A principal preocupação, no momento, é a evolução das lesões de pele, devido ao risco de infecção. Além das amputações, Tainara apresenta fratura na costela e fissura na clavícula, mas não há indicação de novos procedimentos. Ela também apresentou inchaço no cérebro, porém exames apontaram ausência de gravidade no edema. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.

Como ocorreu o atropelamento

Câmeras de segurança registraram o instante em que Tainara é atingida e arrastada pelo carro conduzido por Douglas Alves da Silva, de 26 anos. As imagens mostram a vítima caminhando com um rapaz quando é atropelada por um veículo preto. De acordo com relatos de uma amiga, Tainara perdeu um dos pés ainda no início do arrasto e, após tentativas de preservação, os médicos precisaram realizar a amputação das duas pernas em alturas diferentes.

Prisão e alegações do suspeito

Douglas foi preso na noite de domingo (30) em um hotel na zona leste da capital. Durante a abordagem, segundo o boletim de ocorrência, ele tentou pegar a arma de um policial e foi baleado no braço esquerdo. A defesa afirma que ele não teria recebido atendimento adequado e que apresentava ferimento exposto ao chegar à audiência de custódia. O juiz responsável solicitou apuração das denúncias pela Corregedoria da Polícia Civil.

A Polícia Civil, por sua vez, afirmou que o procedimento de prisão seguiu os protocolos legais. O órgão informou que Douglas foi autuado por resistência e desobediência e passou por atendimento médico antes de ser levado à delegacia.

Versões apresentadas e investigação

Em depoimento, Douglas afirmou que estava arrependido e alegou não conhecer Tainara. Disse que estava em um bar desde a noite anterior, onde se envolveu em uma briga. Declarou que viu a vítima na rua quando estava deixando o local e que só percebeu a batida, atribuindo o arrasto a um suposto problema mecânico no veículo.

A investigação, no entanto, contradiz a versão. De acordo com a Polícia Civil, Douglas mantinha um relacionamento esporádico com Tainara e agiu motivado por ciúmes. O delegado responsável afirmou que o suspeito não parou o carro em nenhum momento e que a vítima só se desprendeu quando o corpo caiu na pista. A irmã de Tainara informou que ele já perseguia a jovem havia algum tempo.

Após o atropelamento, Douglas teria relatado o caso à família e recebido orientação jurídica para deixar o carro em outro local antes de se hospedar no hotel onde foi detido. No momento da prisão, ainda partiu para cima dos policiais, o que levou ao disparo.

Quem é Tainara Souza Santos

Desenvolta e bem-humorada, segundo amigos e familiares, Tainara é mãe de duas crianças, de 12 e 8 anos. Ela morava com os filhos e trabalhava na produção de uma agência de comércio eletrônico. De acordo com pessoas próximas, gostava de viajar, sair com amigos e aproveitar o tempo com a família.

Família busca responsabilização

Os advogados que acompanham a família divulgaram nas redes sociais que buscarão responsabilização completa no caso. Eles afirmaram que o episódio não ficará sem resposta judicial e que atuarão para garantir que a vítima seja amparada durante todo o processo.

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