Um ano sem Juliana: mãe cobra justiça por feminicídio brutal em Mato Grosso

A mãe da jovem, Rosicléia Magalhães, relatou o vazio deixado pela filha e a angústia em meio à espera por justiça.

Nesta terça-feira (9), completa-se um ano do feminicídio que tirou a vida da acreana Juliana Valdevino da Silva, então com 18 anos, em Paranatinga, no Mato Grosso. O crime, atribuído ao ex-namorado Djavanderson de Oliveira de Araújo, ainda não foi julgado, situação que amplia a dor da família e reforça a sensação de impunidade.

Juliana foi atraída pelo ex-namorado até a residência dele, no bairro Jardim Ipê, em 9 de setembro de 2024: Foto/ Reprodução

A mãe da jovem, Rosicléia Magalhães, relatou ao ContilNet o vazio deixado pela filha e a angústia em meio à espera por justiça. “Nos reunimos em família, tentamos sorrir, mas falta alguém naquele meio. A Juliana era quem animava, quem trazia alegria. Eu sorrio, mas por dentro meu coração está sangrando”, disse emocionada.

O júri do acusado estava previsto para julho deste ano em Paranatinga, mas acabou suspenso após a defesa solicitar a transferência do caso para Cuiabá. O pedido foi aceito com a justificativa de que a forte comoção na cidade poderia comprometer a imparcialidade dos jurados. Até o momento, uma nova data não foi definida, o que causa revolta para Rosicléia.

O crime, atribuído ao ex-namorado Djavanderson de Oliveira de Araújo, ainda não foi julgado: Foto/ Reprodução

“Como ser um acusado de um crime grave pode ter direito de escolher? Ele comete um crime grave, deixa a família toda desestruturada, ainda tem o direito de escolher. Ele deve ser julgado pela comarca de Paranatinga, onde ele cometeu o crime e ponto final. Ele não tem o direito de escolher nada. E a justiça está permitindo que o preso tenha esse direito. Isso revolta. Revolta porque a pessoa cometeu um crime, a pessoa destruiu a família, a pessoa destruiu o meu mundo e ainda quer ter direito. E a justiça está permitindo isso. A justiça já está sendo falha com essa situação”, desabafou.

De acordo com a investigação, Juliana foi atraída pelo ex-namorado até a residência dele, no bairro Jardim Ipê, em 9 de setembro de 2024. Antes, o suspeito havia comprado álcool em um posto de combustível. Ele ateou fogo na vítima, que resistiu por 15 dias internada em Cuiabá, mas não sobreviveu às queimaduras que atingiram 90% do corpo.

Rosicléia afirmou ainda que não tem recebido informações concretas sobre o andamento do processo. “Eu falei com a advogada essa semana, ela disse os autos não mandaram dizer nada, não comunicaram nada, tá na mesma, isso causa aflição na gente, porque você sabe que a justiça é falha e a justiça pode colocá-los na rua sem o julgamento. Então é buscar por justiça, movimentar pra ver se a justiça de Paranatinga tome a decisão de julgar ou entregar a outra comarca”, contou.

Mesmo mergulhada na dor, a mãe reforça que seguirá cobrando por responsabilização. “Eu quero apenas justiça. Ele deve ser julgado em Paranatinga, onde cometeu o crime, e condenado pelo que fez. Não dá para aceitar que um feminicídio tão cruel fique sem punição. A gente tenta seguir, mas a dor é constante. Tento passar força para meus filhos e netos, mas a verdade é que minha vida nunca mais será a mesma. A Justiça é a única forma de aliviar um pouco desse sofrimento”, concluiu.