Olhar Digital > Pro > Falta de regras para IA ameaça direitos humanos na Austrália, diz comissária
Especialistas pedem supervisão, testes de viés e dados representativos para evitar injustiças
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A inteligência artificial corre o risco de reforçar racismo e sexismo na Austrália caso não seja devidamente regulamentada, alertou a comissária de direitos humanos do país, Lorraine Finlay.
Finlay defende uma lei específica para IA, complementando normas já existentes, como a Lei de Privacidade, e prevê testes rigorosos de viés, conforme explica o The Guardian.

Autoridades pedem ação contra o problema
- A preocupação ganhou força após a senadora trabalhista Michelle Ananda-Rajah — médica e ex-pesquisadora em IA — criticar a proposta de liberar todos os dados nacionais para empresas de tecnologia.
- Para ela, é essencial treinar modelos com dados australianos para evitar que preconceitos internacionais sejam importados, mas sem abrir mão de remuneração justa a criadores de conteúdo.
- O debate ocorre às vésperas da cúpula econômica do governo, onde serão discutidos ganhos de produtividade da IA.
- Sindicatos, mídia e setor artístico alertam para riscos de violação de direitos autorais e de privacidade.
- Finlay e outros especialistas destacam que a opacidade sobre os dados usados no treinamento das ferramentas dificulta identificar e corrigir vieses.

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Estudos já apontam discriminação em sistemas de IA no país, como entrevistas automatizadas que prejudicam candidatos com sotaque ou deficiência. Pesquisadores alertam que ferramentas criadas no exterior podem não refletir a realidade australiana.
Para Finlay, diversidade de dados é importante, mas insuficiente sem supervisão humana e transparência. “O risco é criar preconceitos tão enraizados que nem percebamos que eles existem”, disse.

Colaboração para o Olhar Digital
Leandro Criscuolo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Já atuou como copywriter, analista de marketing digital e gestor de redes sociais. Atualmente, escreve para o Olhar Digital.
Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.
