Registros divulgados nesta segunda-feira (8) pela Construtora Cidade indicam que a região próxima à Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, já apresentava alterações significativas no terreno pouco antes da queda da estrutura, ocorrida na sexta-feira (5).

É possível observar marcações feitas com cal branca, utilizadas para destacar os pontos afetados: Foto/Reprodução
As imagens compartilhadas pela empresa responsável pela obra mostram rachaduras extensas, desníveis e movimentações do solo na área próxima a uma das extremidades da ponte. Também é possível observar marcações feitas com cal branca, utilizadas para destacar os pontos afetados durante inspeções técnicas realizadas por meio de sobrevoos e registros fotográficos.
Segundo a construtora, os vídeos integram um trabalho de acompanhamento iniciado após os primeiros indícios de instabilidade surgirem na região.
Área comprometida teria alcançado cerca de 16 mil metros quadrados
Em comunicado divulgado após o acidente, a empresa informou que as avaliações preliminares apontaram movimentações relevantes em uma área estimada em aproximadamente 16 mil metros quadrados. De acordo com a construtora, os impactos não se limitaram à ponte, atingindo também áreas vizinhas do bairro localizado nas proximidades da estrutura.

Diante do cenário, a empresa afirma ter mobilizado equipes especializadas em engenharia estrutural: Foto/Reprodução
Ainda conforme a nota, os primeiros sinais teriam sido identificados cerca de uma semana antes do colapso. Desde então, rachaduras, afundamentos e deslocamentos do terreno passaram a ser observados em diferentes pontos da localidade, com agravamento progressivo da situação.
Diante do cenário, a empresa afirma ter mobilizado equipes especializadas em engenharia estrutural, fundações e topografia para monitorar a evolução do problema.
Recomendação de interdição foi enviada um dia antes da queda
A Construtora Cidade informou ainda que encaminhou ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), por volta das 13h da quinta-feira (4), uma recomendação formal para que a ponte fosse totalmente interditada, incluindo a passagem de pedestres.
Segundo a empresa, a medida foi sugerida após os técnicos identificarem o avanço das deformações no solo e avaliarem que a utilização da estrutura poderia representar riscos à população.
Menos de 24 horas depois do envio da recomendação, a ponte acabou desabando.
Empresa cita possível ocorrência de “terras caídas”
Nas análises iniciais, a construtora aponta indícios de um fenômeno geotécnico conhecido na região amazônica como “terras caídas”. O processo é caracterizado pelo deslocamento de grandes volumes de solo provocado por erosões e pelas oscilações naturais do nível dos rios.
A empresa sustenta que se trata de um evento considerado excepcional e de difícil previsão, capaz de afetar obras de infraestrutura dependendo da intensidade com que ocorre.
Enquanto isso, as causas do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari continuam sendo apuradas. O governo do Acre informou que aguarda a conclusão dos laudos técnicos para definir possíveis responsabilidades relacionadas ao colapso da estrutura, inaugurada no final de 2023.
