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A corrida da inteligência artificial ganhou um novo foco, e ele está longe dos próprios chips. Autoridades e empresas dos EUA passaram a olhar com mais atenção para as placas de circuito impresso usadas em sistemas de IA, explica a CNBC.
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Essenciais para o funcionamento de praticamente qualquer eletrônico moderno, essas placas agora são vistas como um possível risco à segurança nacional. O receio é que componentes maliciosos sejam inseridos discretamente durante a fabricação.
Dependência da China em peças essenciais da IA acende alerta de segurança nos EUA. Imagem: Pla2na/Shutterstock – Imagem: Pla2na/Shutterstock
O elo silencioso da inteligência artificial
Quando se fala em IA, quase toda a atenção vai para GPUs, data centers e empresas como Nvidia. Só que existe uma peça menos lembrada — e indispensável — nessa engrenagem: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCIs.
Elas funcionam como a base que conecta os chips e permite a troca de sinais entre os componentes. Sem isso, simplesmente nada opera.
“Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC. “Eles precisam ser montados em uma placa para que todo o conjunto funcione corretamente.”
Só que existe um detalhe que preocupa Washington: boa parte dessa produção hoje está concentrada na China. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os EUA já responderam por cerca de 30% da produção global. Atualmente, o índice caiu para apenas 4%.
David Schild, diretor executivo da entidade, classificou o cenário como uma “dependência arriscada”.
Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA. Imagem: Mijansk786 / Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
Risco vai além da espionagem
A preocupação americana não envolve apenas a disputa comercial entre as duas potências. O Departamento de Defesa teme que placas comprometidas possam abrir espaço para sabotagens em equipamentos estratégicos.
Chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso.
Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, à CNBC.
Segundo ele, um ataque desse tipo poderia até afetar armas em operação. “Um código específico é ativado e, de repente, a placa de circuito impresso, em combinação com o chip, decide interromper a orientação da munição”, explicou.
Especialistas alertam que as PCBs são vulneráveis justamente porque componentes podem ser escondidos em diferentes camadas da estrutura sem chamar atenção.
Entre as principais preocupações do setor estão:
inserção de componentes maliciosos;
desvio de dados sensíveis;
redução proposital de desempenho;
interrupção de sistemas militares;
dependência excessiva da cadeia chinesa.
Durante anos, as placas de circuito ficaram longe dos holofotes da indústria. Agora, viraram peça estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China.
Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA. Imagem: BLKstudio/ShutterstockContinua após a publicidade
Produção de chips nos EUA tenta ganhar força
Com a demanda por IA disparando, empresas americanas tentam acelerar a fabricação doméstica. A TTM Technologies e a Sanmina, duas das poucas fabricantes relevantes nos EUA, ampliam suas operações impulsionadas pelo crescimento do setor.
A TTM já anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin. Ainda assim, mantém sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta em território chinês.
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O impacto também começou a aparecer nos preços. Segundo relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters, as PCIs registraram alta de até 40% entre março e abril. A própria TTM informou reajustes entre 5% e 25%.
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Além da corrida pela inteligência artificial, conflitos internacionais ajudam a pressionar ainda mais o setor. A guerra no Oriente Médio e os impactos envolvendo o Irã afetam o fornecimento de matérias-primas importantes, como cobre e resina.
Mesmo diante desse cenário, o governo dos EUA quer fortalecer a indústria local. Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA, além de bilhões de dólares em subsídios para fabricantes nacionais.
“Tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”, afirmou Edwin Roks, CEO da TTM, ao comentar os riscos da atual dependência chinesa.
Para os EUA, o desafio agora não é apenas fabricar chips mais poderosos. A meta também passa por controlar toda a cadeia necessária para que esses sistemas funcionem.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags:
China
chips de IA
guerra dos chips
Inteligência Artificial
segurança nacional
Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Valdir Antonelli

