O povo quer máquinas trabalhando, não políticos brigando

É uma cena que, confesso, nunca ter visto com tanta intensidade no Acre

O anúncio de um investimento de R$ 220 milhões em máquinas e equipamentos para o Acre deveria ser motivo apenas de comemoração. Afinal, estamos falando de tratores, escavadeiras, caminhões e diversos outros equipamentos que irão ajudar os municípios, fortalecer a agricultura, melhorar ramais e atender inúmeras demandas da população.

Mas, infelizmente, o que deveria ser uma festa transformou-se em uma disputa política para saber quem é o pai da criança.

É uma cena que, confesso, nunca ter visto com tanta intensidade no Acre. Em vez de celebrar uma conquista coletiva, alguns grupos preferem disputar os holofotes, como se a população estivesse mais preocupada com a autoria da obra do que com os benefícios que ela trará.

Sou de um tempo em que os políticos brigavam durante as campanhas, trocavam acusações nos palanques, levantavam a voz nos comícios e defendiam seus projetos com unhas e dentes. Mas, passada a eleição, a maioria entendia que o Acre precisava estar acima das diferenças partidárias.

Vi muitas vezes adversários ferrenhos sentarem à mesma mesa quando o assunto era uma obra importante, uma estrada, uma ponte ou qualquer investimento capaz de melhorar a vida do povo acreano.

Claro que nem tudo eram flores. Havia divergências, disputas e vaidades. Faz parte da política. Mas existia também a velha turma do “deixa disso”, que entrava em campo para apagar os incêndios e construir pontes entre os grupos.

A única vez que me lembro de ter visto uma crise realmente séria nesse aspecto foi durante o governo de Orleir Cameli, quando ocorreu o embargo das obras de asfaltamento da BR-364 entre Sena Madureira e Rio Branco. Na época, o clima esquentou de verdade. Houve acusações contra lideranças importantes como Nabor Júnior, Flaviano Melo e Marina Silva, apontados por aliados do governo como responsáveis por influenciar o embargo. Foi um dos momentos mais tensos da política acreana.

Mas o tempo passou e, como quase sempre acontece, os ânimos foram se acomodando.

Por isso, talvez esteja na hora de nossas lideranças políticas baixarem a temperatura. As máquinas já estão aqui. Serão entregues nesta sexta-feira. E é justo reconhecer que todos os parlamentares federais tiveram participação na construção das condições que permitiram a chegada desses investimentos ao Acre.

A população não quer saber quem aparece mais na fotografia. Quer saber se os equipamentos vão trabalhar, se os ramais serão recuperados, se a produção rural vai escoar melhor e se os municípios terão mais condições de atender seus moradores.

Quanto à disputa eleitoral, ela acontecerá no momento certo.

O eleitor saberá decidir quem deseja como governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Não existe eleição ganha antes da hora. A história política está cheia de exemplos de candidatos que dormiram eleitos e acordaram derrotados. Da mesma forma, muitos que pareciam sem chances encontraram o caminho da vitória.

Pesquisa é apenas retrato do momento. A partida sequer começou oficialmente. O juiz ainda não apitou o início do jogo.

Até lá, quem souber mexer melhor com as pedras poderá vencer. E, como ensina a velha sabedoria da política acreana, também terá vantagem quem souber onde moram as andorinhas.

Enquanto isso, o mais importante é que os R$ 220 milhões em máquinas e equipamentos cumpram sua missão: servir ao Acre e ao povo acreano. Porque, no final das contas, essa é uma conquista que pertence a todos.