
A ex-deputada federal Mara Rocha, pré-candidata ao Senado pelo Republicanos, afirmou que a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 avançou de forma acelerada e deveria ter sido discutida mais amplamente antes de ser levada ao Congresso Nacional. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Em Cena, do ContilNet, nesta semana.
Ao comentar o tema, Mara disse que considera positiva a ideia de ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores, mas defendeu que mudanças nas jornadas de trabalho sejam construídas por meio de acordos entre empregadores e empregados, e não definidas diretamente por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
“Eu sou a favor que toda relação seja tratada entre patrão e empregado. Tudo que é combinado fica bom para todos. Eu acredito que não precisaria de uma proposta de emenda à Constituição”, afirmou.
Segundo a pré-candidata, a discussão precisa envolver representantes dos trabalhadores, empresários e especialistas em economia para avaliar os possíveis efeitos da medida.
“O que eu percebo nesse momento é que essa proposta surgiu muito rápido. Muitos especialistas mostram pontos que podem ser negativos para a economia do Brasil, para as empresas brasileiras, principalmente para as pequenas”, disse.
Mara afirmou que a proposta possui forte apelo popular por oferecer mais tempo de convivência familiar e lazer aos trabalhadores, mas ponderou que o tema exige uma análise mais aprofundada.
“A proposta é maravilhosa. É dar aos trabalhadores mais tempo, mais qualidade de vida com suas famílias. Mas não pode engessar para que o trabalhador não possa também adotar um outro sistema junto com o patrão”, declarou.
Durante a entrevista, ela voltou a defender a liberdade de negociação entre as partes e disse que a decisão deveria ser construída por meio de acordos coletivos.
“Tem que dar liberdade para ele escolher. Não, eu não quero essa escala 6×1, eu quero 5×2. Tem que dar liberdade para o empregador e também para o empregado”, afirmou.
Questionada sobre como votaria caso ainda exercesse mandato na Câmara dos Deputados, Mara disse que não tomaria uma decisão sem antes ampliar o debate sobre o assunto.
“Eu teria pedido para debater mais esse assunto, de forma séria, chamando todo mundo. É uma decisão que pode impactar diretamente as empresas brasileiras e a economia brasileira”, concluiu.
