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Humanidade pode ficar ‘às cegas’ para El Niño e crise oceânica; entenda

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Cientistas americanos e europeus alertaram que o plano do governo de Donald Trump para desmantelar o sistema de monitoramento oceânico dos Estados Unidos vai prejudicar gravemente a precisão das previsões meteorológicas mundiais. A redução do programa, operado pela Fundação Nacional da Ciência (NSF), impactará diretamente o monitoramento de fenômenos climáticos extremos e do El Niño.

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A decisão de reduzir os elementos da Iniciativa de Observatórios Oceânicos (OOI) elimina uma peça fundamental da rede global coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Especialistas consultados pelo jornal The Guardian afirmam que a perda desses dados essenciais impedirá o rastreamento seguro do aquecimento global e de tempestades tropicais, o que deve gerar impactos econômicos profundos em setores como agricultura e seguros.

‘Economia porca’ de Trump deve aumentar erros em previsões meteorológicas e causar prejuízos bilionários

Estudos publicados na revista Nature Climate Change revelam que a ausência das observações americanas provocará um aumento de 163% no erro das estimativas anuais de aquecimento dos oceanos. 

Sabrina Speich, especialista da Ecole Normale Supérieure, disse ao jornal britânico que perder os dados dos EUA é pior do que perder aleatoriamente 80% das informações oceânicas do planeta. Isso porque as plataformas americanas cobrem lacunas geográficas que nenhuma outra nação preenche atualmente.

As consequências práticas atingirão diretamente a economia e a segurança da população. Speich apontou que agricultores usam as previsões sobre o El Niño para planejar safras e antecipar se a tendência será de seca ou enchente. Num ano projetado para ter El Niño forte, a falta de dados impedirá que governos e produtores ajam a tempo para mitigar desastres.

El Niño deve começar em 2026, se estender até 2027 e causar extremos climáticos – Imagem: muratart/Shutterstock

O professor de engenharia John P. Abraham classificou a medida do governo como “economia porca”. Segundo o professor, “o governo dos EUA quer economizar menos de um bilhão em sensores, que são os olhos e ouvidos do oceano”. 

“Temos centenas de bilhões em custos climáticos por ano. O custo do sistema de observação é uma fração dos custos climáticos causados ​​por furacões e tempestades que atingem os EUA”, disse Abraham ao The Guardian.

Entre 1980 e 2024, os EUA enfrentaram mais de 400 desastres climáticos que superaram US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões) em danos cada. Somente em 2024, o custo total dessas catástrofes chegou a US$ 177 bilhões (R$ 902 bilhões).

Aliás, a plataforma de monitoramento de desastres climáticos bilionários da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) deixará de ser atualizada por “mudança de prioridades”.

A NSF alega que o programa passará por uma redução de escopo e não por um cancelamento total. Enquanto isso, a União Europeia anunciou um investimento de 92 milhões de euros (R$ 544 milhões) na iniciativa OceanEye para fortalecer o monitoramento global. Mas vale mencionar que o aporte já estava planejado antes da decisão americana.

A diretora climática Samantha Burgess, do Serviço Copernicus, reforçou que as observações diretas no mar são “insubstituíveis” porque “não conseguimos ver as profundezas do oceano [a partir] do espaço”.

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“Precisamos de cooperação internacional para obter as melhores observações disponíveis e mitigar os riscos em nosso mundo em transformação”, acrescentou. “Sem as observações oceânicas, estamos navegando às cegas.”

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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Tags:
donald trump
El Niño
Estados Unidos
meteorologia


Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Pedro Spadoni

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