
O senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou o palco da 34ª edição da Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4) na capital paulista, para fazer um contundente pronunciamento de forte teor religioso e eleitoral. Estreante no tradicional evento evangélico e posicionado como pré-candidato à Presidência da República para as eleições de 2026, o parlamentar classificou o atual cenário político federal como uma “guerra espiritual” e afirmou que a mobilização dos fiéis representa uma contraofensiva ao atual governo.
“Vamos orar pelo nosso Brasil. Esta guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil este ano. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém”, discursou Flávio em cima de um dos trios elétricos do evento.
A agenda pública ocorre em um momento de isolamento e reconfiguração do núcleo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre regime de prisão domiciliar em Brasília após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 27 anos e 3 meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado. Durante entrevista concedida aos coordenadores da marcha, o senador externou o impacto pessoal da ausência do pai: “Às vezes, a gente acorda com o coração meio apertado, tem que ajoelhar e pedir a Deus para dar aquela força e alegria no coração. Queria muito que meu pai estivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele”.
A solenidade marcou o reencontro público entre Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nas últimas semanas, o chefe do Executivo paulista vinha mantendo um distanciamento estratégico do senador. A cautela política foi adotada após a divulgação de áudios nos quais o filho do ex-presidente cobrava repasses financeiros do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do escândalo de fraudes e liquidação do Banco Master.
Além de Tarcísio de Freitas, o palanque da Marcha para Jesus reuniu lideranças de diferentes espectros institucionais, incluindo:
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O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Ricardo Nunes (MDB);
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O ministro do STF, André Mendonça;
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O advogado-geral da União, Jorge Messias — cuja indicação para uma cadeira na Suprema Corte foi recentemente rejeitada pelo plenário do Senado Federal.
O desembarque em São Paulo encerra uma semana de intensa movimentação interestadual de Flávio, que cumpriu agendas estratégicas em Minas Gerais entre segunda (1º) e quarta-feira (3). No território mineiro, o senador recebeu o título de Cidadão Honorário na Câmara Municipal de Belo Horizonte e expandiu o roteiro por municípios polo como Contagem, Betim e Patos de Minas, no Alto Paranaíba. A incursão foi interpretada por analistas como uma demarcação de território na disputa pelo eleitorado conservador com os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Paralelamente à construção do palanque nacional, a pré-campanha do parlamentar tenta estancar o desgaste provocado por uma crise diplomática com os Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu investigações baseadas na Lei de Comércio de 1974 e recomendou a aplicação de tarifas alfandegárias de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais desleais. Os relatórios técnicos foram publicados uma semana após Flávio reunir-se com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca.
O Palácio do Planalto associou formalmente as sanções econômicas à atuação internacional da família Bolsonaro, impulsionando nas redes sociais o apelido pejorativo de “Tariflávio”. Em resposta ao movimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom das críticas contra a oposição e, durante reunião com ministros na última quarta-feira (3), acusou o adversário de atentar contra a economia nacional por dividendos eleitorais, rotulando o senador Flávio Bolsonaro de “traidor da pátria”.