Estudo coloca três municípios do Acre na rota estratégica do crime organizado na Amazônia

Acrelândia, Assis Brasil e Cruzeiro do Sul aparecem no mapeamento que analisa corredores utilizados para o tráfico de drogas e outras atividades

Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), identificou três municípios acreanos entre os pontos considerados estratégicos para a atuação do crime organizado na Amazônia. Acrelândia, Assis Brasil e Cruzeiro do Sul aparecem no mapeamento que analisa corredores utilizados para o tráfico de drogas e outras atividades ilegais na região.

O estudo também ressalta a importância da posição geográfica do Acre no contexto amazônico: Foto/ Uêslei Araújo/Sema

De acordo com o estudo, o Acre vem desempenhando papel relevante nas rotas do narcotráfico que cruzam a Amazônia. Entre os principais caminhos apontados pelos pesquisadores está o rio Juruá, utilizado para o transporte de cocaína proveniente do Peru e de skunk produzido na Colômbia.

O relatório destaca que os três municípios citados estão localizados em diferentes regiões do estado. Acrelândia integra o Baixo Acre, Assis Brasil está no Alto Acre e Cruzeiro do Sul faz parte da regional do Juruá. Segundo os pesquisadores, essa distribuição demonstra que a influência dessas rotas não se concentra em apenas uma área do território acreano.

O estudo também ressalta a importância da posição geográfica do Acre no contexto amazônico. Dos 22 municípios do estado, 17 possuem áreas de fronteira internacional. Acrelândia está situada próxima à Bolívia, enquanto Assis Brasil e Cruzeiro do Sul integram a extensa faixa de fronteira com o Peru, considerada uma das mais sensíveis da Amazônia devido à intensa circulação de pessoas e mercadorias.

Além do tráfico de drogas, os pesquisadores apontam outros desafios enfrentados nas regiões de fronteira. O documento menciona a atuação de madeireiros, garimpeiros e grupos criminosos em áreas próximas a terras indígenas e unidades de conservação ambiental.

O levantamento também chama atenção para questões sociais observadas nesses municípios. Entre elas está a vulnerabilidade de mulheres e adolescentes, especialmente nas cidades de fronteira, onde os índices de violência sexual superam os registrados em outras localidades da Amazônia Legal.

A pesquisa busca traçar um panorama sobre a dinâmica da criminalidade na região e os impactos provocados pela localização estratégica dos municípios situados nas áreas de fronteira da Amazônia brasileira.