
O ministro André Mendonça, relator do chamado Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), acompanha com estrito monitoramento os desdobramentos da nova proposta de delação premiada apresentada pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. O documento de colaboração foi protocolado formalmente junto às autoridades na última segunda-feira (1º).
A estratégia jurídica traçada pela nova banca de advogados de Vorcaro consiste em manter o gabinete do magistrado ciente de cada etapa e do teor das conversas. No início desta semana, o advogado Sérgio Leonardo, que assumiu o comando das tratativas, reuniu-se pessoalmente com Mendonça no STF. O objetivo do alinhamento prévio é ajustar o escopo das declarações ao modelo metodológico esperado pelo relator, reduzindo os riscos de uma nova recusa e pavimentando o caminho para uma futura homologação judicial.
A postura atual de cooperação e diálogo técnico difere do histórico recente do processo. Durante as negociações da primeira tentativa de acordo de colaboração, a antiga equipe jurídica de Vorcaro, então liderada pelo criminalista José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, entrou em rota de colisão tanto com o ministro André Mendonça quanto com os delegados da Polícia Federal (PF).
Os embates institucionais culminaram no sumário indeferimento do material ofertado. Diante do impasse e do desgaste com os investigadores, o banqueiro optou por destituir Oliveira Lima e delegar a condução do caso a Sérgio Leonardo.
Para viabilizar a estruturação do novo anexo de depoimentos, a defesa obteve de Mendonça uma autorização excepcional, emitida na semana passada, que permitiu o restabelecimento de despachos diários presenciais com o banqueiro, das 9h às 17h, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O despacho autorizativo fixava o dia 12 de junho como data limite para o acesso ampliado ao preso.
Contudo, os defensores anteciparam-se ao cronograma estipulado. Conforme revelado pela TV Globo, os advogados entregaram o calhamaço de documentos simultaneamente à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na segunda-feira (1º), antecipando-se em mais de dez dias ao término do prazo de visitas especiais.
Com esse movimento, a expectativa do núcleo jurídico do réu é obter um parecer preliminar dos órgãos de controle antes do dia 12 de junho. Caso a PF ou a PGR exijam emendas, aditamentos ou esclarecimentos adicionais, os advogados ainda disporão do salvo-conduto judicial para se reunirem com Vorcaro na carceragem e providenciarem as alterações em tempo hábil.
Interlocutores que acompanham o caso de perto afirmam que a nova peça jurídica foi classificada como “reformulada, ampliada e aprofundada”, distanciando-se do escopo considerado genérico da versão anterior.
Fontes com acesso aos termos sigilosos do pré-acordo revelaram que os novos relatos trazem revelações inéditas e detalhadas que atingem diretamente a cúpula de partidos de sustentação do chamado Centrão. Entre os focos da delação, destacam-se lideranças de três siglas com forte peso político no Congresso Nacional: