Tudo sobre Inteligência Artificial
ver mais
Um grupo de pesquisadores criou uma ferramenta curiosa: ela consegue medir o “pulso” das cidades usando imagens de satélite e inteligência artificial. O sistema acompanha mudanças urbanas quase em tempo real.
Continua após a publicidade
A ideia lembra um eletrocardiograma. Em vez de mostrar apenas a aparência de uma cidade, a tecnologia ajuda a revelar como ela evolui ao longo do tempo, explica o Earth.com.
Ferramenta baseada em IA consegue identificar novas construções, demolições e mudanças urbanas vistas do espaço. Imagem: steamaze/iStock – Imagem: steamaze/iStock
Satélites revelam o ritmo escondido das cidades
Durante décadas, urbanistas dependeram de levantamentos espaçados e estatísticas antigas para entender o crescimento das cidades. O problema é que esse tipo de levantamento mostra só o resultado final da urbanização — bairros já construídos, estradas prontas e áreas ocupadas.
Agora, pesquisadores liderados por Zhe Zhu, diretor do Laboratório Global de Sensoriamento Remoto Ambiental da Universidade de Connecticut, desenvolveram uma estrutura chamada “Urban Pulse”, ou “pulso urbano”.
Nas imagens analisadas pelos satélites Landsat e Sentinel-2, da NASA, o sistema consegue identificar mudanças físicas em bairros inteiros. Entram nessa conta novas construções, demolições, obras de infraestrutura e até o avanço urbano sobre áreas verdes.
Durante décadas, estávamos apenas capturando o resultado da urbanização – uma casa construída ou a expansão de uma estrada. Mas você não vê realmente a dinâmica dentro de uma área urbana.
Zhe Zhu, diretor do Laboratório Global de Sensoriamento Remoto Ambiental da Universidade de Connecticut, em nota.
Por trás disso está o CAPES, método de aprendizado profundo e análise temporal criado pelo pesquisador Ji Won Suh, atualmente professor assistente na Universidade de Victoria, no Canadá.
Ferramenta pode ajudar governos a detectar sinais precoces de decadência urbana antes que eles fiquem visíveis. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O crescimento das cidades não acontece como parece
Os cientistas testaram o sistema em seis cidades bastante diferentes entre si: Seattle, Shenzhen, Lagos, Mumbai, Dubai e Cidade do México. Mesmo com características distintas, todas apresentaram padrões parecidos de crescimento urbano.
O desenvolvimento urbano acontece em ondas intensas, com períodos de construção acelerada seguidos por fases mais lentas. E isso muda bastante a forma de observar uma cidade.
Os pesquisadores identificaram três características principais:
o crescimento urbano acontece em surtos;
bairros passam por ciclos de expansão e estagnação;
diferentes regiões da cidade evoluem em ritmos distintos.
Curiosamente, essa falta de sincronização pode até ajudar as cidades a evitar sobrecargas simultâneas na infraestrutura urbana e no mercado de trabalho.
A pandemia acabou virando um dos testes mais claros da ferramenta. Pelos dados de satélite, a queda nas obras apareceu quase como uma “parada cardíaca” global.
Continua após a publicidade
Shenzhen reagiu rapidamente após a crise, impulsionada por políticas públicas. Em Mumbai e na Cidade do México, a recuperação demorou mais e aconteceu de forma desigual.
“É como nos seres humanos”, observou Zhu. “Quando você contrai uma doença, ela não se manifestará exatamente da mesma forma em pessoas diferentes.”
Sistema chamado Urban Pulse acompanha mudanças urbanas usando inteligência artificial e análise temporal. ChatGPT/Olhar Digital – Imagem criada com IA. ChatGPT/Olhar Digital
Ferramenta pode ajudar cidades antes que problemas apareçam
Os pesquisadores acreditam que o Urban Pulse pode funcionar como um sistema de alerta precoce para cidades. Na prática, isso permitiria identificar sinais de problemas urbanos antes que eles se tornem visíveis para a maior parte da população.
Isso pode ajudar governos e planejadores urbanos a reagirem mais rápido — e talvez com menos custos.
Continua após a publicidade
Mas a ideia não é limitar o sistema apenas às autoridades. A equipe pretende tornar os dados acessíveis ao público.
“Esta será uma ferramenta de grande impacto, influenciando não apenas as decisões políticas governamentais, mas também as decisões das pessoas comuns que se deslocam pelas suas cidades”, afirmou Zhu.
O estudo foi publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences) e mostra como imagens de satélite podem revelar movimentos urbanos quase invisíveis no dia a dia.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ver todos os artigos →
Tags:
cidades inteligentes
Inteligência Artificial
Urbanismo
Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Valdir Antonelli

