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Bancos reforçam defesas contra ataques cibernéticos impulsionados por IA

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Grandes bancos dos Estados Unidos, que receberam acesso antecipado ao Mythos, estão correndo para corrigir dezenas de vulnerabilidades identificadas pela ferramenta em seus sistemas de dados. Os bancos precisam se preparar para uma nova geração de modelos de inteligência artificial capazes de viabilizar ataques cibernéticos ainda mais sofisticados e agressivos.

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A transformação digital acelerou o setor bancário nos últimos anos. Com a expansão do mobile banking, pagamentos instantâneos e serviços financeiros baseados em nuvem, as instituições financeiras passaram a operar em um ambiente cada vez mais conectado e, consequentemente, mais vulnerável. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial (IA) vem sendo utilizada tanto para fortalecer a segurança quanto para ampliar a sofisticação dos ataques cibernéticos.

Relatórios recentes mostram que criminosos digitais estão usando IA generativa para automatizar phishing, criar deepfakes, desenvolver malwares adaptativos e acelerar invasões em ambientes corporativos. A CrowdStrike alertou que ataques assistidos por IA estão reduzindo drasticamente o tempo necessário para invasores comprometerem sistemas críticos.

No setor financeiro, os riscos são ainda maiores. Bancos concentram grandes volumes de dados sensíveis, movimentações financeiras em tempo real e operações críticas para a economia. Por isso, instituições financeiras ao redor do mundo vêm ampliando investimentos em cibersegurança baseada em IA defensiva, autenticação avançada e monitoramento contínuo.

A nova geração de ataques digitais

Os ataques cibernéticos modernos deixaram de depender apenas de técnicas tradicionais. Hoje, ferramentas de IA conseguem criar mensagens altamente personalizadas, imitar vozes de executivos e até simular videoconferências falsas para enganar funcionários bancários.

Deepfake é a capacidade de gerar ou manipular rostos e vozes com hiper-realismo usando inteligência artificial – Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock

Estudos da iProov mostram que criminosos estão usando deepfakes e identidades sintéticas para burlar sistemas de verificação remota e processos de KYC (“Know Your Customer”).

Além disso, relatórios da Check Point Software indicam aumento expressivo de ataques contra bancos e fintechs, impulsionados por phishing automatizado, ransomware e fraudes em pagamentos digitais.

No Brasil, o cenário também preocupa. Dados divulgados sobre o setor financeiro mostram crescimento no número de incidentes cibernéticos envolvendo instituições financeiras e sistemas de pagamento.

Diante desse cenário, bancos vêm adotando estratégias mais sofisticadas de defesa digital. Entre as principais iniciativas estão:

Uso de IA para detectar ameaças em tempo real

Instituições financeiras estão implementando sistemas capazes de identificar comportamentos suspeitos instantaneamente. Algoritmos analisam padrões de login, localização, horários de acesso e movimentações financeiras para detectar anomalias antes que ocorram fraudes.

Esses sistemas conseguem reconhecer tentativas de invasão mesmo quando o ataque utiliza credenciais legítimas roubadas, reduzindo a dependência de métodos tradicionais de antivírus.

Autenticação biométrica e multifator

A autenticação multifator (MFA) tornou-se padrão em bancos digitais e aplicativos financeiros. Além de senhas, usuários precisam validar identidade por biometria facial, impressão digital ou códigos temporários.

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Com o avanço dos deepfakes, bancos também passaram a investir em biometria com detecção de prova de vida (“liveness detection”), dificultando fraudes com vídeos e imagens geradas por IA.

Mais de 4,2 bilhões de dispositivos móveis já utilizam algum tipo de biometria (Reprodução: Shutterstock/ImageFlow)

Monitoramento contínuo de redes e nuvem

A migração de sistemas bancários para ambientes em nuvem aumentou a necessidade de monitoramento constante. Plataformas modernas utilizam IA para rastrear movimentações suspeitas em servidores, APIs e sistemas internos.

Segundo a CrowdStrike, houve forte crescimento de intrusões em ambientes de nuvem, o que levou bancos a reforçarem estratégias de “Zero Trust”, nas quais nenhum acesso é considerado confiável automaticamente.

Simulações e treinamento contra engenharia social

Ataques modernos exploram principalmente falhas humanas. Por isso, bancos estão promovendo treinamentos frequentes para funcionários identificarem golpes sofisticados, links falsos e tentativas de manipulação por voz ou vídeo.

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Muitas instituições já utilizam simulações de phishing baseadas em IA para testar equipes internas e medir o nível de vulnerabilidade organizacional.

Investimentos em resposta rápida a incidentes

Como o tempo entre invasão e comprometimento vem diminuindo, bancos criaram centros de operações de segurança (SOCs) funcionando 24 horas por dia. Essas equipes monitoram eventos em tempo real e atuam rapidamente para isolar ameaças.

Relatórios recentes indicam que invasores conseguem se mover lateralmente dentro de redes corporativas em menos de 30 minutos, tornando a velocidade de resposta um fator decisivo.

O desafio regulatório

Além da tecnologia, o setor financeiro enfrenta pressão regulatória crescente. Bancos centrais e órgãos reguladores vêm exigindo políticas mais rígidas de proteção de dados, continuidade operacional e gestão de riscos cibernéticos.

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No Brasil, o avanço do Open Finance e do Pix aumentou a necessidade de segurança robusta, especialmente diante do crescimento de fraudes digitais e golpes automatizados.

A corrida tecnológica

Especialistas alertam que o futuro da segurança bancária dependerá da capacidade das instituições de combinar automação, inteligência artificial defensiva e supervisão humana qualificada.

Os ataques cibernéticos assistidos por IA representam uma das maiores ameaças atuais ao sistema financeiro global. Ferramentas de inteligência artificial tornaram os golpes mais rápidos, baratos e difíceis de detectar, criando um cenário de pressão constante para bancos e fintechs.

Em resposta, o setor financeiro está investindo pesadamente em autenticação avançada, monitoramento inteligente, análise comportamental e equipes especializadas em resposta a incidentes. A disputa entre atacantes e defensores tornou-se uma corrida tecnológica contínua, na qual a capacidade de adaptação será determinante para proteger dados, operações e a confiança dos clientes.

Alessandra Montini

Alessandra Montini é diretora do Laboratório de Análise de Dados da Fia Business School.

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Tags:
Bancos
Inteligência Artificial


Conteúdo reproduzido originalmente em: Olhar Digital por Alessandra Montini

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