A Polícia Federal realizou, na manhã desta quarta-feira (20), a Operação Tutela Originária, voltada ao combate de um suposto esquema de fraudes envolvendo recursos destinados a comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade no interior do Acre. As investigações se concentram em aldeias localizadas no município de Feijó e na região do Alto Rio Envira.

A Polícia Federal realizou, na manhã desta quarta-feira (20), a Operação Tutela Originária: Foto/Reprodução
O principal investigado é um servidor indígena ligado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Conforme apurado pela Polícia Federal, ele teria utilizado a função pública e a relação de confiança mantida com os povos originários para recolher cartões bancários e documentos pessoais de beneficiários de programas sociais e previdenciários.
Segundo a investigação, o servidor alegava prestar auxílio administrativo e atuar na intermediação de demandas junto a bancos e órgãos públicos para facilitar o acesso aos benefícios federais. No entanto, os indícios apontam que parte dos valores sacados não era entregue integralmente aos beneficiários, causando prejuízos financeiros contínuos às famílias atendidas.
Por determinação da Justiça Federal, agentes da Polícia Federal de Cruzeiro do Sul cumpriram três mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado no município de Feijó. A operação busca recolher celulares, mídias digitais, documentos e cartões bancários que possam comprovar a existência do esquema.
Apesar da gravidade das suspeitas, a Justiça optou por não decretar a prisão preventiva do servidor nesta etapa da investigação. Em substituição, foram aplicadas medidas cautelares.
O investigado passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, teve restrições de deslocamento impostas e está proibido de frequentar unidades da Funai em Feijó. A decisão judicial também impede o acesso dele a terras indígenas demarcadas ou em processo de demarcação na região.
A Polícia Federal informou ainda que o servidor e possíveis envolvidos identificados durante a análise do material apreendido poderão responder por diversos crimes. Entre eles estão estelionato, retenção ilegal de documentos, furto qualificado mediante abuso de confiança e apropriação de benefícios destinados a idosos.
